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FLICA reúne Nina da Hora e Miriam Leitão em debates sobre tecnologia e racismo

Por Wendel de Novais

2 min de leitura

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A inteligência artificial, o racismo nos ambientes digitais e a preservação dos saberes ancestrais estarão entre os temas da 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), realizada de 5 a 8 de novembro, no Recôncavo Baiano. Durante o Mês da Consciência Negra, a Tenda Paraguaçu receberá escritores, pesquisadores, artistas e especialistas para discutir literatura, memória e tecnologia. Toda a programação é gratuita.

A abertura da programação acontece na quinta-feira (5), às 11h, com um debate entre a cientista da computação e ativista antirracista Nina da Hora e a jornalista Miriam Leitão. A conversa terá mediação do especialista cultural Zulu Araújo e abordará como aplicativos e sistemas de inteligência artificial podem reproduzir preconceitos presentes na sociedade. No mesmo dia, Nina lança o livro Do rosto ao vetor, que discute a exclusão dos conhecimentos de pessoas negras e moradores de periferias no universo digital.


Para o curador da Tenda Paraguaçu, Marielson Carvalho, compreender o funcionamento dos algoritmos é fundamental para entender os impactos dessas tecnologias. A discussão parte da ideia de que os sistemas de inteligência artificial aprendem a partir dos dados e das informações fornecidas por seres humanos, o que pode reproduzir desigualdades existentes.

A programação de quinta-feira também inclui, às 19h, o sarau Sued Nunes Não Anda Só. A cantora divide o palco com artistas da cena baiana, como Afropecado, Duda Santhana, MC Jaynne e o poeta Matheus Kawan, em uma apresentação que combina música e poesia.

Na sexta-feira (6), às 15h, o debate Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas reunirá o escritor Ale Santos e o professor Cesar Sobrinho, com mediação de Cristian Sales. A conversa abordará o afrofuturismo, movimento que utiliza elementos da ficção científica e da fantasia para colocar pessoas negras no centro das narrativas. Entre os pontos discutidos estão os conhecimentos tradicionais, as receitas transmitidas entre gerações e os saberes populares como formas de tecnologia.

O último debate destacado na programação acontece no sábado (7), às 18h, com a ex-ministra Nilma Lino Gomes e o pesquisador Tarcízio Silva. Mediado por Jamile Borges, vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o encontro discutirá como as ferramentas digitais podem manter grupos sociais em situação de desvantagem. A proposta é refletir sobre os desafios para tornar a tecnologia mais inclusiva e ampliar a participação de diferentes grupos na construção do futuro.

Fotos: Reprodução

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