Jota Gastronomia estreia no Rio Vermelho levando uma cozinha brasileira com sotaque regional

Depois de uma longa temporada no Santo Antônio Além do Carmo, onde comandou os restaurantes Casa de Farinha e Joca Mesa Bar, o chef Jota Moraes escolheu o Rio Vermelho para escrever um novo capítulo de sua trajetória. Em frente ao mar, o Jota Gastronomia chega com um cardápio que valoriza a cozinha brasileira de leve sotaque baiano, sem abrir mão de técnicas e referências internacionais.

Caldinho de arraia

O restaurante funciona com propostas distintas ao longo do dia: oferece menu executivo no almoço, happy hour com clima de boteco, petiscos e drinks autorais no fim da tarde e, nos jantares de fim de semana, pocket shows de música brasileira. Vale destacar a carta de vinhos que leva a assinatura da sommelière Carol Souzah.

Baião do mar Foto: Leonardo Freire/ Divulgação

Estive lá na semana passada e passei por boa parte do menu da casa. À mesa chegaram a Lambretinha, o refrescante Ceviche de Caju com Manga, o delicado Tartar de Fumeiro, o Caldinho de Arraia, o Baião do Mar, a Moqueca, o Vinagrete de Polvo com Abacaxi, a Mousse de Cajá e, claro, o Malassado, um prato tipicamente baiano que costumo perseguir pelos quatro cantos da cidade.

Tartar de fumeiro

Foi justamente ele o grande destaque da experiência. A versão criada por Jota Moraes entrou, sem exagero, para a lista das melhores que já provei em Salvador. Gostei tanto que cheguei a sugerir ao chef uma porção maior, pensada para compartilhar. É um daqueles pratos que despertam imediatamente a vontade de repetir.

Ceviche de caju com manga

Se houve um único item que não me conquistou, foi o Caldinho de Arraia. Não por falta de técnica ou qualidade — tanto que é uma das entradas mais pedidas da casa —, mas por uma questão absolutamente pessoal. Simplesmente não sou apreciador de arraia, independentemente da forma de preparo.

Malassado

Outra boa surpresa foi a moqueca. Embora seja um clássico da gastronomia baiana, nunca esteve entre os meus pratos favoritos. Ainda assim, resolvi experimentar e encontrei uma versão muito bem executada. Sem os excessos de pimentões coloridos que, muitas vezes, acabam dominando o preparo, a receita aposta no equilíbrio dos ingredientes e entrega um sabor limpo, intenso e bem baiano.

Moqueca

O Jota Gastronomia capricha também ambientação. O projeto arquitetônico é assinado por Thiago Reis, com decoração desenvolvida em parceria entre o arquiteto e Margarete Rodrigues, mãe e sócia do chef. Obras de artistas como Carlos Bastos, Daniela Steele, Luiz Lopomo, Rita Lessa e Calazans Neto se somam a outras peças do acervo do antiquário Nino Nogueira, como uma tela de Bel Borba dedicada a Iemanjá reforça a identidade baiana do ambiente.

Lambretinha

No frigir dos ovos, o Jota Gastronomia me surpreendeu positivamente. O novo endereço reúne técnica, identidade e um cardápio que passeia entre tradição e criatividade sem recorrer a firulas. É uma estreia que merece ser conhecida e que reforça o bom momento gastronômico do Rio Vermelho.

Mousse de cajá

Serviço:

@jota.gastronomia

Rua da Paciência, 295, Rio Vermelho.

Fotos: Marcia Reimão/Divulgação

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