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Baladna: o discreto libanês que conquista nos Barris

Por Wendel de Novais

2 min de leitura

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Em uma cidade como Salvador, onde a comida de rua pulsa em cada esquina — do acarajé fumegando ao espetinho improvisado depois da madrugada — também há espaço para sabores que atravessam oceanos.

É no meio dos Barris, quase discretamente, em frente à Biblioteca dos Barris e ao lado do tradicional Velho Espanha, que o Baladna se revela como uma dessas gratas surpresas que a cidade guarda para quem presta atenção.

Pequeno, simples e sem qualquer pretensão estética, o estabelecimento libanês funciona quase como um refúgio gastronômico para quem procura uma comida rápida, reconfortante e cheia de sabor antes de seguir noite adentro.

O Baladna entrega uma comida feita com cuidado visível em cada detalhe. As esfirras podem até parecer apenas um salgado comum à primeira vista, mas bastam poucas mordidas para perceber que ali existe algo especial. A massa é leve, macia e assada no ponto certo, enquanto os recheios chegam perfumados e muito bem equilibrados.

A de carne impressiona pela suculência e pelo tempero aromático, daqueles que misturam especiarias e frescor sem exageros. Já a de frango consegue ser delicada e intensa ao mesmo tempo, úmida, saborosa e envolvida por uma massa que praticamente derrete.

Outro destaque é a kafta, um prato que traduz perfeitamente a proposta do lugar: comida simples, rápida e extremamente bem executada. Mas talvez seja o shawarma de carne que melhor represente a alma do Baladna. Ver o preparo acontecendo diante dos olhos ajuda a entender por que o sanduíche é tão marcante.

A carne mantém suculência e sabor profundos, envolvida por especiarias que perfumam o ambiente inteiro. O pão árabe quente, os molhos e os acompanhamentos criam um conjunto equilibrado e extremamente saboroso, daqueles que fazem a simplicidade parecer alta gastronomia.

E é justamente aí que o Baladna ganha força dentro da cena gastronômica de Salvador. Em uma cidade marcada por sabores tão próprios do Nordeste e da Bahia, o pequeno estabelecimento consegue abrir espaço para um pedaço do Líbano no meio da boemia dos Barris. É o tipo de lugar que muita gente passa sem perceber, mas que rapidamente vira referência para quem descobre. Antes de ocupar uma mesa no Velho Espanha ou seguir madrugada afora, talvez a melhor decisão seja justamente fazer essa parada: comer algo rápido, acolhedor e incrivelmente gostoso no Baladna.

Fotos: Wendel de Novais

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