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De Massaranduba ao Jabuti: Abáz vence com livro de estreia sobre a periferia de Salvador

Por Ronaldo Jacobina

Atualizado em 3 min de leitura

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Foto: Divulgação

O bairro que Abáz chegou a esconder dos outros na adolescência tornou-se o nome de seu primeiro livro — e agora lhe rende um Jabuti. Criado em Massaranduba, em Salvador, o escritor venceu a categoria Conto da edição de 2026 com a coletânea que leva o nome do lugar onde cresceu. Publicada pela Editora Senac Rio, a obra já havia conquistado o Prêmio Sesc de Literatura de 2025. O novo reconhecimento foi anunciado na terça-feira (27), durante cerimônia na Sala São Paulo.

Nas histórias de Massaranduba, o cotidiano periférico ganha uma escrita atravessada pela oralidade, pelo humor e pelo sarcasmo. Entre situações trágicas e cômicas, o livro acompanha personagens que encontram diferentes maneiras de lidar com a violência, os afetos, a fé e a sobrevivência.

São Paulo (SP) – 27/10/2026 – Entrega do 68° edição do Prêmio Jabuti, na Sala São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Abáz é o nome literário de Jeferson Reis Santos, professor da rede municipal de São Paulo. Formado em História pela Universidade Federal da Bahia, tem mestrado pela UFMG e cursa doutorado em Educação na USP. Sua aproximação com a ficção começou em 2024, quando procurou uma oficina de escrita para superar dificuldades com o texto acadêmico. O exercício abriu caminho para os contos que formariam sua estreia.

Em entrevista ao Terra, publicada em 2025, o autor contou que, quando adolescente, dizia morar na Ribeira para evitar o estigma associado a Massaranduba. Transformar o bairro em literatura passou a ser uma maneira de recuperar a própria história e afirmar seu pertencimento.

Juliana Cajives

Outra Bahia, entre o fantástico e o afeto

Abáz não foi o único escritor nascido em Salvador a receber uma estatueta nesta edição. Ian Fraser venceu em Romance de Entretenimento com Cartografia para caminhos incertos, publicado pela Intrínseca.

O romance se passa em Redenção, cidade fictícia baiana protegida por uma pedra enfeitiçada que a faz mudar constantemente de lugar. Nesse território vive Mané, um aspirante a poeta apaixonado por Jeremias. A narrativa combina realismo mágico e referências culturais da Bahia em uma história sobre amor, identidade e pertencimento. O universo do livro também chegou aos palcos, em adaptação que recebeu o Prêmio Braskem de Melhor Texto.

Premiados radicados no estado

A Bahia aparece ainda em outras duas categorias. Juliana Cajives ganhou na de Escritor Estreante — Poesia com História a que ninguém deu nome Nascida em Goiânia e criada em Palmas, a autora vive em Salvador, onde se formou em Artes pela UFBA. Também artista visual e realizadora audiovisual, ela reúne escrita teatral, poemas e ilustrações em uma obra que aborda maternidade, morte, aborto e violência obstétrica.

Manuel Alves de Sousa Junior

Na categoria Educação, o vencedor foi Manuel Alves de Sousa Junior, autor de Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade, da Schreiben. Professor do Instituto Federal da Bahia e radicado no estado há cerca de vinte anos, o pesquisador propõe caminhos para tratar de relações raciais, identidade e diferenças desde a infância.

Itamar Vieira Junior também esteve entre os finalistas, com Coração sem medo, da Todavia. Na categoria Romance Literário, a vencedora foi Eliana Alves Cruz, com Meridiana, publicado pela Companhia das Letras. O principal reconhecimento da noite, Livro do Ano, ficou com Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, de Ruy Castro.

Fotos: Divulgação

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