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Feira de arte vai reunir mais de 70 artistas e coletivos no Palacete Tirachapéu

Por Ronaldo Jacobina

4 min de leitura

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Foto: Marcos Peixoto/Divulgação

Comprar a primeira obra, conhecer quem a criou ou acompanhar de perto um processo artístico. Essas possibilidades orientam o Palacete Arte | Trama, que reunirá mais de 70 artistas e coletivos no Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, de 12 a 15 de novembro.

Apresentado pela organização como a primeira Feira de Arte Contemporânea da Bahia, o evento terá entrada gratuita e programação que combina exposição, comercialização, ateliês abertos, performances, visitas mediadas e encontros com profissionais do setor.

Mistura, obra do artista Heitor Gabriel

Com idealização e direção-geral de Monique Badaró e curadoria de Stella Carrozzo, a feira integra o Palacete Arte, programa voltado à valorização da produção artística baiana e à aproximação entre artistas e público. As obras à venda terão preços entre R$ 500 e R$ 9 mil, com 80% do valor de cada negociação destinado diretamente ao artista.

“Trama nasceu do meu desejo de propiciar à arte produzida na Bahia um espaço de visibilidade e de negociação a partir daqui, sem depender do aval de outros centros”, afirma Monique.

Pinacoteca do Beiru, vista da exposição

A proposta busca alcançar também visitantes que ainda não se reconhecem como compradores ou colecionadores. Para a idealizadora, estimular esse encontro é parte do trabalho de fortalecer a produção local. “Queremos que as pessoas saiam da feira com outra relação com a arte, tenham ou não comprado uma obra.”

Uma exposição pelos salões

Os trabalhos ocuparão os salões do Palacete como uma grande exposição. A configuração acompanha o perfil dos participantes, em sua maioria artistas independentes, e reúne pintura, escultura, fotografia, performance e videoarte.

Retrato PB do artista Uiler Costa-Santos

A seleção também contempla artistas representados por galerias como RV Cultura e Arte, Paulo Darzé, Midlej e Galatea. Entre os coletivos, grupos e projetos participantes estão Acervo da Laje, Ativa Atelier Livre, CAB — Circuito de Arte e Boteco, Pinacoteca do Beiru, Projeto Zabumba e Coletivo Zumví. Na entrada, alakás integram a cenografia de recepção ao público.

Segundo Stella Carrozzo, a feira foi concebida para conciliar circulação comercial e troca de conhecimento. “As artes e a cultura na contemporaneidade são atravessadas pela lógica de mercado, mas não podem, nem devem, se esgotar nela.”

Obra Sem Título, do artista Uiler Costa-Santos

Essa aproximação ganha forma nos ateliês abertos, onde os visitantes poderão encontrar artistas trabalhando e conhecer obras em processo, materiais, equipamentos e ferramentas. A intenção é abrir espaço para perguntas sobre as pesquisas e escolhas que antecedem o trabalho finalizado.

Colecionismo e sustentabilidade

A programação terá visitas mediadas diárias, atividades literárias e diálogos entre artes visuais, música e literatura. Entre as performances previstas estão uma criação inédita de Marcondes Dourado e uma apresentação de Ana Dumas, a Missy Blecape.

Na sexta-feira, 13 de novembro, das 17h30 às 19h30, o encontro “Como começar uma coleção” reunirá os colecionadores Josemar Antonio, Fernando Bueno, João Mascarenhas e Harley Henriques, com mediação de Stella Carrozzo.

No sábado, 14, das 15h às 17h, a pergunta “Quem sustenta o sistema de arte?” conduzirá uma conversa mediada por Alejandra Muñoz, da UFBA. Participam Daniel Rangel, Thais Darzé, João Victor Guimarães, Janaina Selva, José Eduardo e Inês Linke.

Ainda no sábado, das 17h30 às 19h30, o debate será sobre a construção de trajetórias sustentáveis para artistas. Com mediação de Felix Toro, do Instituto Sacatar, a mesa reunirá Lanussi Pasquali, Carolina Câmara, Uriel Bezerra, Busca, Cristina de Middel, Uiler Costa-Santos e José Carlos Ferreira.

Arte no Centro Histórico

Para Marcelo Magalhães, presidente do Palacete Tirachapéu, o projeto amplia a presença das artes na programação do edifício e na experiência de quem frequenta o Centro Histórico. “É uma forma de contribuir para o trabalho dos artistas e fazer da arte uma presença cada vez mais próxima na vida das pessoas”, afirma.

Marcelo Magalhães, presidente do Palacete Tirachapeu

Erguido em 1917 para sediar a Associação dos Empregados no Comércio da Bahia, o imóvel restaurado reúne hoje gastronomia, lojas, eventos e exposições. O programa Palacete Arte abre seus espaços a projetos realizados em parceria com artistas, curadores, gestores culturais, galerias e instituições.

Em novembro, essa agenda terá também a primeira edição do Salvador Cocktail Festival, realizada em parceria com o Purgatório. O circuito acontece de 10 a 16 de novembro e prevê uma festa gratuita na Rua Chile nos dias 14 e 15, com mais de 40 bares participantes, música e gastronomia. Nos dias 15 e 16, o Palacete recebe o congresso do festival, com palestras, painéis, masterclasses e feira de expositores.

Serviço

Palacete Arte | Trama
Quando: 12 a 15 de novembro de 2026
Onde: Palacete Tirachapéu, Rua Chile, Centro Histórico, Salvador
Entrada: gratuita
Obras à venda: de R$ 500 a R$ 9 mil
Artistas participantes e informações: feiratrama.com

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