Comprar a primeira obra, conhecer quem a criou ou acompanhar de perto um processo artístico. Essas possibilidades orientam o Palacete Arte | Trama, que reunirá mais de 70 artistas e coletivos no Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, de 12 a 15 de novembro.
Apresentado pela organização como a primeira Feira de Arte Contemporânea da Bahia, o evento terá entrada gratuita e programação que combina exposição, comercialização, ateliês abertos, performances, visitas mediadas e encontros com profissionais do setor.

Com idealização e direção-geral de Monique Badaró e curadoria de Stella Carrozzo, a feira integra o Palacete Arte, programa voltado à valorização da produção artística baiana e à aproximação entre artistas e público. As obras à venda terão preços entre R$ 500 e R$ 9 mil, com 80% do valor de cada negociação destinado diretamente ao artista.
“Trama nasceu do meu desejo de propiciar à arte produzida na Bahia um espaço de visibilidade e de negociação a partir daqui, sem depender do aval de outros centros”, afirma Monique.

A proposta busca alcançar também visitantes que ainda não se reconhecem como compradores ou colecionadores. Para a idealizadora, estimular esse encontro é parte do trabalho de fortalecer a produção local. “Queremos que as pessoas saiam da feira com outra relação com a arte, tenham ou não comprado uma obra.”
Uma exposição pelos salões
Os trabalhos ocuparão os salões do Palacete como uma grande exposição. A configuração acompanha o perfil dos participantes, em sua maioria artistas independentes, e reúne pintura, escultura, fotografia, performance e videoarte.

A seleção também contempla artistas representados por galerias como RV Cultura e Arte, Paulo Darzé, Midlej e Galatea. Entre os coletivos, grupos e projetos participantes estão Acervo da Laje, Ativa Atelier Livre, CAB — Circuito de Arte e Boteco, Pinacoteca do Beiru, Projeto Zabumba e Coletivo Zumví. Na entrada, alakás integram a cenografia de recepção ao público.
Segundo Stella Carrozzo, a feira foi concebida para conciliar circulação comercial e troca de conhecimento. “As artes e a cultura na contemporaneidade são atravessadas pela lógica de mercado, mas não podem, nem devem, se esgotar nela.”

Essa aproximação ganha forma nos ateliês abertos, onde os visitantes poderão encontrar artistas trabalhando e conhecer obras em processo, materiais, equipamentos e ferramentas. A intenção é abrir espaço para perguntas sobre as pesquisas e escolhas que antecedem o trabalho finalizado.
Colecionismo e sustentabilidade
A programação terá visitas mediadas diárias, atividades literárias e diálogos entre artes visuais, música e literatura. Entre as performances previstas estão uma criação inédita de Marcondes Dourado e uma apresentação de Ana Dumas, a Missy Blecape.
Na sexta-feira, 13 de novembro, das 17h30 às 19h30, o encontro “Como começar uma coleção” reunirá os colecionadores Josemar Antonio, Fernando Bueno, João Mascarenhas e Harley Henriques, com mediação de Stella Carrozzo.
No sábado, 14, das 15h às 17h, a pergunta “Quem sustenta o sistema de arte?” conduzirá uma conversa mediada por Alejandra Muñoz, da UFBA. Participam Daniel Rangel, Thais Darzé, João Victor Guimarães, Janaina Selva, José Eduardo e Inês Linke.
Ainda no sábado, das 17h30 às 19h30, o debate será sobre a construção de trajetórias sustentáveis para artistas. Com mediação de Felix Toro, do Instituto Sacatar, a mesa reunirá Lanussi Pasquali, Carolina Câmara, Uriel Bezerra, Busca, Cristina de Middel, Uiler Costa-Santos e José Carlos Ferreira.
Arte no Centro Histórico
Para Marcelo Magalhães, presidente do Palacete Tirachapéu, o projeto amplia a presença das artes na programação do edifício e na experiência de quem frequenta o Centro Histórico. “É uma forma de contribuir para o trabalho dos artistas e fazer da arte uma presença cada vez mais próxima na vida das pessoas”, afirma.

Erguido em 1917 para sediar a Associação dos Empregados no Comércio da Bahia, o imóvel restaurado reúne hoje gastronomia, lojas, eventos e exposições. O programa Palacete Arte abre seus espaços a projetos realizados em parceria com artistas, curadores, gestores culturais, galerias e instituições.
Em novembro, essa agenda terá também a primeira edição do Salvador Cocktail Festival, realizada em parceria com o Purgatório. O circuito acontece de 10 a 16 de novembro e prevê uma festa gratuita na Rua Chile nos dias 14 e 15, com mais de 40 bares participantes, música e gastronomia. Nos dias 15 e 16, o Palacete recebe o congresso do festival, com palestras, painéis, masterclasses e feira de expositores.
Serviço
Palacete Arte | Trama
Quando: 12 a 15 de novembro de 2026
Onde: Palacete Tirachapéu, Rua Chile, Centro Histórico, Salvador
Entrada: gratuita
Obras à venda: de R$ 500 a R$ 9 mil
Artistas participantes e informações: feiratrama.com