Pescadores, estivadores, plantações de tabaco e cenas da população negra de Salvador e do Recôncavo compõem a Bahia registrada por Mario Cravo Neto em uma fase de intensa experimentação. Esse universo está em “Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia”, exposição em cartaz na Caixa Cultural Rio de Janeiro, no Centro, até 10 de janeiro de 2027, com entrada gratuita.
A curadoria é do fotógrafo Christian Cravo, filho do artista, que reuniu mais de 40 fotografias coloridas e em preto e branco, além de objetos, desenhos, aquarelas e filmes em oito milímetros. O recorte percorre o período entre 1967 e 1975, permitindo conhecer pesquisas e experiências que ajudam a compreender a construção da linguagem de Cravo Neto.
O corpo e a imagem
Exibidos em projeção contínua, três filmes ampliam o percurso. Em “Gato Capoeira”, de 1975, o corpo aparece em sua relação com a dança. “Lua Diana”, de 1972, é dedicado ao nascimento da primeira filha do artista. Já “Lua e Sombra”, de 1975, dialoga com o acidente de carro sofrido por Cravo Neto, acontecimento que marcou uma mudança em sua trajetória.
A reunião desses suportes permite observar um artista interessado em explorar diferentes possibilidades da imagem. A fotografia ocupa lugar central, mas divide espaço com experiências que revelam outras dimensões de seu processo criativo.
Da Bahia aos acervos internacionais
A ligação com a Bahia atravessa a obra de Mario Cravo Neto, que encontrou nas pessoas, na religiosidade e nas referências culturais do estado parte importante de seu repertório. Seu trabalho alcançou instituições como o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Stedelijk Museum, em Amsterdã, o Museo Reina Sofía, em Madri, e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O artista também participou de cinco edições da Bienal Internacional de São Paulo.
Antes da temporada carioca, “Sob o Sol da Bahia” foi apresentada na Caixa Cultural Salvador, em 2025. Realizada pela Via Press, a exposição tem patrocínio da Caixa e apoio institucional do Instituto Mario Cravo Neto.