UFBA recebe, de hoje (08) até sexta (12, o quinto Encontro Nacional de Pesquisas em Gastronomias

Salvador sedia, de hoje (8) até sexta-feira (12), a 5ª edição do Encontro de Pesquisas em Gastronomias do Brasil (ENPEGASTRO), iniciativa do Departamento de Gastronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que reconhece que as mesmas mãos que plantam, aram, colhem, cozinham e ofertam são também as que fazem suas histórias. E é para dar visibilidade a essas vivências que o encontro abordará a importância da oralidade, da escuta e das partilhas realizadas no campo das gastronomias brasileiras, com foco especial na gastronomia baiana.

Na programação, que acontece em diferentes espaços, está a mostra artística e cultural do Encontro de Pesquisas em Gastronomias, realizada no Espaço Cultural da Barroquinha; uma Conferência Magna, no dia 11 de junho, na sala nobre da Reitoria da UFBA, abordando O Centenário de Manuel Querino: a arte culinária na Bahia como semente do futuro, além de outras palestras, debates e ações.

Nesta edição haverá, pela primeira vez, apresentação de relatos em áudio enviados por diversos públicos de todo o Brasil sobre a relação que possuem com as gastronomias. “Nossa intenção é chegar mais perto dos territórios, principalmente os mais distantes das áreas urbanas, para entender que gastronomias são essas feitas por esses corpos que não estão dentro de restaurantes e de espaços comerciais; mas sim em territórios sobre os quais ainda sabemos pouco”, conta a pesquisadora Cláudia Mesquita Pinto Soares.

Lançamentos

 Além dos encontros acadêmicos, presenciais e remotos, voltados exclusivamente aos inscritos, o evento conta com o lançamento de três livros, abertos ao público: “Gastronomias: movimentos no campo científico”, da pesquisadora Cláudia Mesquita Pinto Soares, “Comida de origem: Educação, gastronomia, empreendedorismo e sustentabilidade”, de Ivan Bursztyn e Maria Eliza Assis dos Passos e “Gastronomia Encruzilhada – Tecnologias de afrobrasilidades em alimentação”, de Lourence Alves.

Foto: Vandelson Silva dos Santos/Divulgação

A gastronomia da Bahia também está em pauta. O professor de Gastronomia da Universidade Federal da Bahia, coordenador do evento, o historiador e gastrônomo Fernando Santa Clara reforça que as cozinhas e comidas de azeite apresentam o estado e Salvador de forma muito ímpar em relação a outros contextos dos diversos “Brasis” que existem no país: “reconhecer o Brasil é reconhecer também que as gastronomias produzidas na Bahia são plurais e repletas de identidades únicas, que colocam esse lugar em evidência para o resto do mundo”.

Em relação a esses diferenciais, defende, antes de tudo, que devemos pensar em “Bahias”: “existe a do Recôncavo, a do Sertão, a do Litoral Sul, a da região do São Francisco, por exemplo. São muitas Bahias em uma Bahia só”

“Para a gente, é importante apresentar essas muitas Bahias, dando destaque especial a quem compõe essas cozinhas, majoritariamente populações indígenas e pessoas descendentes de negros escravizados. E também mostrar como essas intersecções acontecem não só nos modos de se alimentar e nas técnicas de produção, mas nos corpos de quem faz isso, de quem mantém as heranças vivas.”

Salvador, diversidade e complexidade

Kennedy Ramires Mangerot Ribeiro, docente e pesquisador em Gastronomia, coordenador Executivo, Cultural e membro da Comissão Científica do ENPEGASTRO, destaca que, como uma das cidades de maior relevância em todo o país em riqueza de culturas alimentares, dotadas de diversidade e complexidade, “Salvador transforma o tema do evento em experiência concreta, lembrando-nos que as gastronomias são também memória, identidade, resistência e possibilidade de construção de outros mundos”.

Gastronomias

O termo “gastronomias”, escrito no plural, não é por acaso, mas sim para dar conta da multiplicidade de práticas, saberes e territórios que compõem esse campo. A ideia dessa noção é a de que não existe uma única gastronomia que se sobreponha às demais, mas sim diferentes expressões, igualmente legítimas, que dialogam entre si. “Ao adotar a multiplicidade como substantiva, também rompemos com a (falsa) ideia de hierarquia entre alta e baixa cozinha e reconhecemos uma construção polifônica, em que distintas tradições e contextos têm o mesmo valor”, explica a coordenadora geral do ENPEGASTRO e professora do Departamento de Gastronomia da UFRJ, Cláudia Mesquita Pinto Soares.

A proposta é ampliar o entendimento contemporâneo da gastronomia, incorporando perspectivas diversas que vão do campo e para além dos restaurantes, envolvendo comunidades quilombolas, povos indígenas e diferentes territórios.

O ENPEGASTRO – O Encontro de Pesquisas em Gastronomias do Brasil (ENPEGASTRO) é uma ação do Observatório Teórico-Acadêmico das Gastronomias, vinculado ao curso de Bacharelado em Gastronomia pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

*Inscrições e programação completa*: acesse aqui: https://www.even3.com.br/enpegastro2026-606524/

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