Taís Araújo será a protagonista de “As Mulheres de Meu Pai”, adaptação cinematográfica do romance homônimo do escritor angolano José Eduardo Agualusa, publicado em 2007 e considerado uma das obras mais emblemáticas da literatura africana contemporânea. O anúncio foi divulgado nesta quinta-feira (23), confirmando a atriz brasileira no papel central de uma história que atravessa fronteiras geográficas e afetivas em busca das origens de sua personagem.
Na produção, Taís dará vida a Laurentina, uma jovem moçambicana adotada ainda criança por um casal luso-brasileiro e criada no Brasil. A narrativa tem início quando ela recebe uma carta escrita por seu pai biológico, um prestigiado músico angolano, e decide viajar até Angola para conhecê-lo. Ao chegar ao país, no entanto, descobre que ele morreu pouco antes de sua chegada, transformando a viagem em uma investigação sobre memória, identidade e pertencimento.
Publicado por José Eduardo Agualusa, o romance combina elementos de ficção e realidade para conduzir o leitor por uma travessia que passa por Angola, Moçambique, Namíbia e África do Sul. A adaptação preserva esse percurso pelo universo lusófono, explorando os vínculos culturais, históricos e familiares que unem diferentes territórios de língua portuguesa.
Ao comentar sua participação no projeto, Taís Araújo destacou o significado da obra e da perspectiva adotada pelo filme. “Fazer parte de um filme que celebra a beleza da ancestralidade africana, contada pela perspectiva dos nossos irmãos e irmãs portugueses é profundamente gratificante, e mal posso esperar para partilhá-lo com o público”.
Considerado um dos principais nomes da literatura africana de língua portuguesa, José Eduardo Agualusa construiu uma carreira internacional com livros traduzidos para quase 30 idiomas. Entre seus principais reconhecimentos estão o Independent Foreign Fiction Prize, conquistado em 2007 por “O Vendedor de Passados”, o Prêmio Fernando Namora, recebido em 2013 por “Teoria Geral do Esquecimento”, e o Prêmio Nacional de Cultura e Artes de Angola, em 2019, pelo conjunto de sua obra.
A adaptação de “As Mulheres de Meu Pai” reforça o interesse crescente do cinema por narrativas que aproximam diferentes culturas do mundo lusófono e revisitam a herança africana sob uma perspectiva contemporânea. Com Taís Araújo à frente do elenco, o projeto promete levar às telas uma história marcada por deslocamentos, reencontros e pela busca das raízes que moldam a identidade.
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