A educadora baiana Carla Pita lança, nesta sexta-feira (24), seu primeiro livro, “O abraço da Víbora-do-Gabão e outros sete contos mágico-encantados”, em um encontro na Casa do Olodum, no Pelourinho. A programação, com início às 19h e entrada gratuita, reúne bate-papo com a autora, sessão de autógrafos e apresentação dos alunos da Escola Olodum, em um evento que dialoga com a valorização da cultura afro-brasileira e das tradições ancestrais.
Ao longo de oito narrativas, Carla conduz o leitor por um universo em que literatura fantástico-encantada, afrofuturismo e tradição oral se entrelaçam. Ambientadas na fictícia Aldeia Hossi, as histórias abordam temas como identidade, pertencimento, ancestralidade e cura coletiva, tendo como fio condutor a relação entre os personagens, a memória de seus antepassados e a força da vida em comunidade.
A obra nasce das experiências vividas pela autora durante anos em Angola e de sua convivência com comunidades tradicionais de terreiro na Bahia. “Trabalhei e vivi na Angola profunda, de Cabinda ao Cunene, durante muitos anos; um reencontro ancestral que se tornou o grande divisor de águas da minha vida”, afirma Carla Pita, que transforma essas vivências em matéria-prima para sua estreia literária.



Além do aspecto ficcional, o livro também propõe uma reflexão sobre questões contemporâneas ligadas à herança colonial e à intolerância religiosa. “As violências e a consequente exclusão social crescem em toda a África Subsaariana. Suas raízes são truculentas, plantadas pelo colonialismo europeu e alimentadas hoje pela expansão de igrejas neopentecostais, cujos discursos incendiários de seus líderes associam a pobreza e a doença a ‘espíritos malignos’, marginalizando curandeiros, kimbandeiros, sobas e terapeutas tradicionais”, observa a autora.
O projeto gráfico amplia esse diálogo entre tradição e contemporaneidade. As ilustrações são assinadas pelo cientista social e grafiteiro Edson Souza, que adota uma linguagem inspirada nas histórias em quadrinhos de super-heróis, especialmente no trabalho de Brian Stelfreeze em Pantera Negra. A proposta aproxima o imaginário fantástico da obra de leitores de diferentes gerações.
O lançamento marca não apenas a estreia de Carla Pita na literatura, mas também a celebração de seus 50 anos. Ao reunir literatura, arte visual e música em um dos espaços mais emblemáticos do Pelourinho, a autora apresenta uma obra que reafirma a potência das narrativas afrocentradas e da tradição oral como instrumentos de preservação da memória e de construção de novos imaginários.
Fotos: Divulgação
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