Casarão do século XVIII restaurado passa a abrigar a Afrosinfônica, escola de música, galeria de arte e projetos culturais e sociais
Um casarão do século XVIII que durante anos esteve em ruínas volta a fazer parte da vida cultural do Pelourinho. Totalmente restaurada, a Casa da Ponte será apresentada oficialmente nesta terça-feira (15), às 16h, reunindo patrimônio, música, educação e projetos sociais em um dos endereços mais emblemáticos do Centro Histórico de Salvador.
Presidida e idealizada pelo maestro Ubiratan Marques, a instituição ocupa um imóvel de 862 m² no Largo do Pelourinho, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e ao lado da Fundação Casa de Jorge Amado. O espaço passa a ser a casa definitiva da Orquestra Afrosinfônica, do Núcleo Moderno de Música (NMM) e de uma série de iniciativas culturais.
A apresentação do casarão terá concerto da Afrosinfônica no estúdio da instituição, que passa a se chamar Sala Mateus Aleluia, homenagem ao cantor, compositor e fundador dos Tincoãs, um dos nomes fundamentais da música afro-brasileira. A programação inclui ainda o descerramento da placa inaugural, abertura da Galeria de Arte e exibição de um documentário sobre o processo de restauração.
Tombado pelo Iphan e localizado na área do Centro Histórico reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco, o imóvel teve suas características arquitetônicas preservadas. Esquadrias, forros, assoalhos e cobertura foram restaurados, enquanto novas instalações hidráulicas e elétricas e recursos de acessibilidade prepararam o prédio para sua nova função.
A relação de Ubiratan Marques com o endereço, no entanto, começou muito antes da restauração. Foi ali que, entre 2009 e 2011, funcionou o Núcleo Moderno de Música, criado por ele e Gilberto Santiago. Das atividades da escola nasceu a Afrosinfônica, que também realizou no casarão processos criativos e ensaios para seus álbuns Branco e Dois.

“Estamos devolvendo ao patrimônio histórico e, principalmente, à população um casarão que estava completamente em ruínas e que agora ganha uma nova vida”, afirma Ubiratan.
Essa nova vida também se estende para além das paredes do edifício. Em 2024, o projeto Ponte Para a Comunidade atendeu cerca de 1.500 alunos e formou oito Orquestras Afrobaianas, posteriormente entregues a organizações como Ilê Aiyê, Banda Didá, Olodum, Pracatum, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Malê Debalê e Grupo Étnico Cultural Bairro da Paz. Uma segunda edição deverá abrir inscrições nos próximos dias.
A programação da Casa da Ponte também pretende ocupar outros pontos de Salvador e municípios baianos. A partir de dezembro, a Afrosinfônica inicia uma série de concertos com convidados nas escadarias da Fundação Casa de Jorge Amado, ampliando para as ruas do Pelourinho a música produzida dentro do casarão.
A restauração da Casa da Ponte teve patrocínio do Nubank, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com gestão do Ministério da Cultura.
Fotos: Divulgação
