A moda autoral produzida na Bahia ganhou projeção internacional nesta semana com o reconhecimento ao trabalho do Ateliê Mão de Mãe. A marca foi escolhida por Anitta para compor parte do figurino de “Equilibrivm II”, e uma das criações usadas pela artista passou a figurar nas páginas da Galore, publicação norte-americana reconhecida por acompanhar tendências da cultura pop e da moda contemporânea.
O destaque da revista recai sobre o figurino utilizado por Anitta no clipe de “Sal Grosso”, faixa que dialoga com rituais de proteção e limpeza espiritual inspirados nas tradições afro-brasileiras. O visual combina cabaças, fibras naturais e crochê, elementos que remetem à coleção “Cabaças, o Ventre”, apresentada pelo coletivo baiano em 2024 e marcada pelo encontro entre artesanato, moda e ancestralidade.
Ao comentar a proposta estética do audiovisual, Anitta destacou a dimensão simbólica da dança e do corpo na construção do projeto. “Para mim, a dança, a sensualidade e o corpo em movimento têm o poder de curar e elevar. É por isso que foi tão importante para a produção ser indiscutivelmente movida pela dança: para celebrar essa energia ritualística e a força espiritual por trás dela”, afirmou à Galore.



A participação do Ateliê Mão de Mãe, contudo, vai além de um único figurino. A marca também assina a criação escolhida para a capa de “Equilibrivm II”, em que Anitta aparece carregando uma oferenda sobre a cabeça, além do vestido vermelho de crochê usado no audiovisual da faixa “Feitiço”, gravada em parceria com Mart’nália.
A colaboração reflete uma relação construída ao longo dos últimos anos entre a cantora e a grife baiana. Anitta já incorporou diferentes peças do Ateliê Mão de Mãe em eventos, ensaios e viagens internacionais, contribuindo para ampliar a visibilidade da produção artesanal desenvolvida pelo coletivo.
Ao levar técnicas tradicionais e referências da cultura afro-brasileira para um projeto de alcance global, o Ateliê Mão de Mãe reafirma a força da moda produzida na Bahia como expressão artística e cultural. O reconhecimento internacional evidencia o crescente interesse por criações que conciliam identidade, artesanato e narrativas ligadas à ancestralidade.
Fotos: Reprodução
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