O Museu Carlos e Margarida Costa Pinto inicia um novo ciclo institucional com a promessa de estreitar sua relação com a sociedade. Eleito por unanimidade para a presidência do Conselho Curador da Fundação no biênio 2026-2028, João Gomes afirma que uma das prioridades da gestão será ampliar a presença do equipamento cultural entre baianos e turistas, aproximando-o também de escolas, universidades e da comunidade acadêmica.
À frente de uma instituição que completará 57 anos em novembro e abriga um dos mais importantes acervos de artes decorativas do país, o novo presidente defende que o Museu precisa dialogar com novos públicos sem abrir mão de sua essência. Entre as metas estão investimentos na experiência de visitação, fortalecimento de parcerias institucionais e busca por novas fontes de receita que garantam a sustentabilidade do espaço.



Em entrevista ao site Ronaldo Jacobina, João Gomes também antecipou que o Museu sediará, em 2028, o II Congresso Luso-Brasileiro de Artes Decorativas e revelou planos para ampliar a programação cultural, incentivar a visitação escolar e tornar mais acessíveis as milhares de peças que integram o acervo. Confira a entrevista:
O que representa para o senhor assumir a Presidência do Conselho Curador do Museu Carlos e Margarida Costa Pinto neste momento da história da instituição?
O Museu Costa Pinto completará 57 anos em novembro. Foi planejado com muito amor, desprendimento e propósito por Dona Margarida, que doou o magnífico acervo formado ao longo dos anos, além do casarão e do terreno que hoje abrigam essa riqueza. Assumir a presidência representa uma grande responsabilidade e o compromisso de honrar esse legado, dando continuidade ao trabalho realizado pelas gestões anteriores, pelo Conselho Curador, pela Diretoria e pela equipe técnica, contribuindo para o fortalecimento do Museu durante o biênio 2026-2028.
Como sua relação com o Museu foi construída e de que forma ela influenciará sua gestão?
Conheci o Museu muitos anos atrás e, posteriormente, passei a frequentá-lo também por conta de eventos. Tenho uma relação de amizade de longa data com a conselheira Rosina Bahia e conhecia pessoas que atuavam voluntariamente na instituição. Quando recebi o convite para integrar o Conselho Curador, aceitei com alegria. Depois, tive a oportunidade de colaborar na elaboração do planejamento estratégico e tático do Museu, o que me permitiu compreender ainda mais seus desafios e potencialidades. Pouco mais de um ano depois, veio o convite para assumir a presidência.
O fortalecimento da presença pública e a aproximação com novos públicos aparecem entre os desafios do mandato. Quais ações serão priorizadas?
Vamos ampliar e fortalecer a presença pública do Museu junto à sociedade baiana, ao público turístico, às escolas, às universidades e aos diferentes segmentos da comunidade. Também queremos construir novas parcerias com veículos de comunicação, instituições culturais, empresas, universidades, órgãos públicos e o trade turístico. À medida que conquistarmos novas possibilidades, investiremos na experiência museal, na visitação, na infraestrutura e na sustentabilidade dos espaços do Museu. Queremos que cada vez mais pessoas conheçam esse patrimônio.
A sustentabilidade institucional também é um dos focos da nova gestão. Como pretende fortalecer o Museu nesse aspecto?
O apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura e do Fundo de Cultura, é fundamental para a manutenção das atividades. Mas precisamos diversificar as fontes de receita para garantir equilíbrio financeiro, ampliar a programação e realizar investimentos. O Museu precisa se atualizar constantemente, investindo em renovação museológica, infraestrutura, climatização, tecnologia e acessibilidade. Também pretendemos ampliar projetos culturais, patrocínios, parcerias e utilizar alguns espaços, de forma criteriosa, para gerar receitas institucionais, sempre respeitando a missão do Museu e a preservação do acervo.
O Museu abriga um dos mais importantes acervos de artes decorativas do país. Como aproximar esse patrimônio das novas gerações?
O acervo é de uma beleza e diversidade inigualáveis, com mais de três mil peças, incluindo mobiliário, prataria, porcelanas, cristais, joias e o maior conjunto de Joias de Liberdade reunido em uma instituição museológica de que se tem conhecimento no mundo. Precisamos que baianos e turistas conheçam mais e visitem o Museu. Queremos ampliar os circuitos educativos para escolas, incentivar pesquisas em parceria com universidades e fortalecer nossa programação cultural. Posso antecipar que, em 2028, o Museu sediará o II Congresso Luso-Brasileiro de Artes Decorativas. Também pretendemos ampliar as exposições de peças atualmente preservadas na reserva técnica e investir em eventos, publicações e ações que fortaleçam a relação do Museu com a sociedade.
Qual legado o senhor espera deixar ao final do mandato?
Não ambiciono deixar uma marca pessoal, mas oferecer uma contribuição firme e responsável para o fortalecimento do Museu. Espero que ele esteja cada vez mais presente na lembrança de baianos e turistas, proporcionando uma experiência marcante aos visitantes, com infraestrutura renovada, acessibilidade plena, recursos atualizados, boas parcerias e sustentabilidade institucional fortalecida. Esse será o maior resultado que poderemos alcançar.
Fotos: Reprodução
Veja também: De cinco shows por semana a dois por mês: como fica o forró após o São João
