Quem observa os barcos, os restaurantes e a movimentação da Bahia Marina vê apenas uma parte do empreendimento imaginado por seu idealizador. Aos 82 anos, o engenheiro e empresário Reynaldo Loureiro, do Grupo Cidade, pretende ampliar o complexo da Avenida Contorno, que completa 27 anos de operação em 2026. “O que nós temos hoje na Marina é 20% do que eu quero fazer”, afirmou em entrevista exclusiva ao portal Ronaldo Jacobina, durante o Salvador Boat Show, evento que acontece no local até este domingo (08).
Entre os sonhos e os planos de negócios estão hotel, edifício comercial e ampliação da estrutura para embarcações. A distância entre o empreendimento existente e o imaginado pelo empresário também passa, segundo ele, pela demora nos trâmites necessários à expansão. Reynaldo cita como exemplo o fechamento do quebra-mar, intervenção que considera importante para melhorar a proteção da área de atracação.
“Essa Marina tem 27 anos de construída e até hoje não conseguimos fechar o quebra-mar para torná-la realmente tranquila. Temos um projeto bem amplo que devo apresentar ao prefeito Bruno Reis em breve. Ainda não avançamos como eu gostaria”, afirma.
Leilane Loureiro, diretora da Bahia Marina e filha de Reynaldo, relaciona o ritmo dos investimentos à sobreposição de exigências e à dificuldade de percorrer os processos de aprovação. Na avaliação dela, o desenvolvimento do setor precisa de um planejamento que dê mais clareza aos caminhos para implantar e ampliar estruturas náuticas.
“As leis se sobrepõem. Às vezes, você não sabe nem por onde começa: um órgão pede a anuência do outro, e você não sabe qual é o primeiro. Precisaríamos criar um planejamento estratégico para o desenvolvimento da atividade náutica”, defende.
Um barco, vários negócios
Na operação cotidiana, a demanda por espaço reforça os planos de expansão. Segundo Leilane, as vagas secas, destinadas à guarda de barcos em terra, estão integralmente ocupadas, enquanto há disponibilidade nas vagas na água. As perspectivas incluem novas áreas de atracação e intervenções na proteção do complexo.
“Temos uma série de planos para o futuro, na parte imobiliária, na ampliação da atividade náutica, de vagas no mar e de quebra-mar para melhorar a proteção. Temos perspectivas de ampliação, que dependem de aprovações”, explica.
A diversificação acompanha a trajetória da Marina, que reúne navegação, gastronomia, comércio e serviços. Na atividade náutica, uma das transformações observadas por Reynaldo é o avanço da propriedade compartilhada de embarcações.
Nesse modelo, diferentes proprietários dividem a aquisição de um barco, enquanto uma empresa administra tripulação, manutenção e despesas. Segundo o empresário, essa dinâmica levou a Bahia Marina a reformular sua estrutura para receber embarcações maiores e acompanhar uma utilização mais frequente.
“Cinco pessoas se juntam, formam uma pequena empresa e compram um barco. Uma empresa administra, coloca marinheiro, paga a marina e faz a manutenção. Em vez de um dono, você tem cinco. Os barcos saem muito mais, e a marina tem que se adaptar”, explica.
O movimento alcança profissionais que cuidam dos motores, dos estofados, dos equipamentos e da alimentação a bordo, além dos estabelecimentos frequentados nos destinos. Leilane estima que mais de 1.500 pessoas trabalhem nas atividades ligadas ao complexo, considerando funcionários dos lojistas, marinheiros dos clientes e prestadores de serviços.
“As pessoas começaram a entender que a náutica não é só coisa para rico e que é uma grande geradora de emprego. Quando englobamos os marinheiros dos clientes, os funcionários dos lojistas e o prestador que vem consertar o barco, um único empreendimento gera muitos negócios. É uma atividade intensiva em mão de obra e muito artesanal”, afirma.
Novos caminhos pelo Recôncavo
A ampliação dessa cadeia de serviços também orienta a Marina Porto das Ilhas, projeto do Grupo Cidade, responsável pela Bahia Marina, em São Francisco do Conde. Reynaldo informa que o empreendimento foi projetado para receber 600 barcos e pretende atender proprietários de cidades do interior, como Feira de Santana e Alagoinhas, oferecendo outra base de acesso aos destinos da Baía de Todos-os-Santos.
Leilane explica que a estrutura terá foco em serviços para embarcações de maior porte. “Hoje, um barco grande tem que sair daqui para fazer serviço no Rio e em São Paulo porque nem sempre consegue subir aqui. Imaginamos essa marina mais voltada para esse tipo de serviço e também para atender o público do interior”, diz, em referência à retirada dos barcos da água para manutenção.
O empreendimento integra o portfólio apresentado pelo grupo no Boat Show de 2025, ao lado da Bahia Marina e da Ilha Bimbarras, projeto imobiliário de sítios de praia também localizado em São Francisco do Conde. A conclusão da Marina Porto das Ilhas depende de aprovações e de infraestrutura de acesso. Para Leilane, ampliar a atividade exige combinar formação profissional, sustentabilidade e planejamento dos destinos.
“Não adianta fazer empreendimento de forma aleatória. Tem que haver planejamento para ver onde pode ser feito e qual é a melhor forma, mantendo a cultura e a história do lugar. Precisamos buscar esse desenvolvimento como um todo para aproveitar o potencial da Baía de Todos-os-Santos”, defende.
Para Reynaldo, o tamanho dos planos e a espera por aprovações já repercutiu em uma decisão pessoal: o tempo que pretende permanecer à frente dos negócios. “Estou com 82 anos. Imaginei que ia trabalhar até os 85, mas estou vendo que o plano ficou muito grande e vou aos 90.”