A atriz Vitória Rodrigues escolheu Salvador para acompanhar nesta sexta-feira (06), o último capítulo de A Nobreza do Amor, novela da TV Globo em que interpreta Dôra. A viagem também marca a apresentação de seu primeiro livro, Dengo e Cheiro no Cangote, ao público baiano, com passagem pela Festa Literária Internacional de Cachoeira, a Flica, e um sarau na LDM Bela Vista, na capital.
Minutos antes de embarcar para a capital baiana, em entrevista exclusiva ao site Ronaldo Jacobina, ela revelou como a personagem atravessa sua própria história. “Eu passei dez anos da minha vida alisando meu cabelo e tentando me encaixar num padrão que não era meu”, contou. A experiência aproximou Vitória de Dôra, cuja trajetória mobiliza questões sobre origens e identidade.
Acompanhar o desfecho em Salvador acrescenta significado a esse percurso. A atriz associa a cidade à força da cultura negra e à valorização das origens, temas que acompanharam a construção de Dôra. “Inclusive, assistir o último capítulo em Salvador é ainda mais significativo”, afirmou.
Encontros com a Bahia
A relação com Salvador começou antes da televisão. Formada em Educação Física, Vitória vinha participar de festivais de ginástica com a universidade. “Parece que eu vivi duas vidas”, disse sobre o caminho até conseguir viver da arte.
A Bahia também ajudou sua poesia a encontrar leitores. A cantora e ministra da Cultura Margareth Menezes compartilhou Plantando Paz – primeiro vídeo da artista a ganhar grande repercussão nas redes – e participa do livro com um texto de apresentação. Já ator Lázaro Ramos, colega de elenco na novela, incentivou a publicação e indicou caminhos para chegar à editora.
“O livro só saiu porque um cara que é baiano, que é Lázaro, me deu esse chacoalho. Eu sou alagoana, moro no Rio de Janeiro e Salvador é o lugar que eu tenho mais público. E isso me abraça de um jeito que eu nem sei explicar”, revelou.
Poesia para ler e ouvir
Publicado pela Ação Editora, Dengo e Cheiro no Cangote reúne versos sobre desejo, encontros, desencontros e experiências femininas. A escrita tem influências do cordel e da oralidade, referências que Vitória reconhece na própria família.
“Toda a minha vivência artística vem exatamente dessas raízes, dessa origem de uma família meio que autodidata na arte, que nunca estudou nada, mas que compõe, que toca, que recita.”

Vitória compartilhou também a emoção dos pais com o lançamento do livro. “Minha mãe fala até hoje que, depois que eu e meu irmão nascemos, foi o dia mais feliz da vida dela. Minha mãe é costureira e meu pai é gari, e nunca imaginaram que teriam uma filha atriz e escritora. É meio que revolucionário em nossas vidas mesmo, sabe?! Esse livro, principalmente”.
Com ilustrações de Luciana Grether, a obra inclui um QR Code que leva à recitação de Muito Prazer, Eu Sou Mulher. O poema também ganhou música e um clipe com participações de Margareth Menezes, da atriz Taís Araújo e da escritora Djamila Ribeiro, entre outras mulheres que são referências para a autora.
A combinação de poesia e canção estará no sarau da LDM Bela Vista, em Salvador, no sábado (7), às 15h. Antes, Vitória participa da Flica, nessa sexta-feira (6), às 11h. O encontro com os leitores baianos dá continuidade a uma relação construída entre viagens, amizades e incentivos à sua criação. “Não tem como eu escrever minha vida sem ter a Bahia junto comigo”, pontuou.