A trajetória de Santa Dulce dos Pobres inspira a exposição “A Última Porta: Arquiteturas do Acolhimento”, que será aberta ao público entre os dias 3 e 14 de agosto, no Átrio do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), no Centro Administrativo da Bahia. Com entrada gratuita, a mostra reúne obras de 28 artistas baianos que propõem diferentes leituras sobre o legado da primeira santa brasileira a partir da linguagem da arte contemporânea.
Mais do que apresentar uma homenagem biográfica, a exposição convida o visitante a refletir sobre o acolhimento como um princípio capaz de atravessar diferentes dimensões da vida em sociedade. Pinturas, esculturas, fotografias, gravuras e cerâmicas exploram temas como solidariedade, dignidade e cuidado com o outro, evidenciando a permanência do pensamento e da atuação de Santa Dulce na realidade contemporânea.
Entre os participantes estão nomes como Bel Borba, Juarez Paraíso, Tadeu Bahia, Teka Portela, Salvatore Torre, Carmen Freaza, Felix Sampaio, Helena Maria Cruz, Maria Nazaré Santos e outros artistas que apresentam interpretações autorais sobre a figura da religiosa e os valores associados à sua missão humanitária.



A proposta curatorial também estabelece um diálogo entre arte e justiça social. Para o curador da mostra, o arquiteto, escultor e crítico de arte Celso Cunha, “A presença destas obras no coração do Judiciário baiano nos lembra que a lei mais fundamental da convivência humana é a preservação irrestrita da dignidade. No fim de todas as coisas, a maior obra que podemos edificar é o amparo ao nosso semelhante”.
A exposição revisita ainda momentos marcantes da vida de Irmã Dulce (1914–1992), conhecida como o “Anjo Bom da Bahia”. Sua dedicação às pessoas em situação de vulnerabilidade deu origem ao Hospital Santo Antônio, embrião das Obras Sociais Irmã Dulce. Em 2019, ela foi canonizada pelo Vaticano, tornando-se a primeira santa nascida no Brasil.
A visitação coincide com um período de grande significado para os devotos da religiosa, já que em 13 de agosto a Igreja Católica celebra Santa Dulce dos Pobres. Nesse contexto, “A Última Porta: Arquiteturas do Acolhimento” amplia as homenagens tradicionais ao oferecer uma experiência em que arte, memória e reflexão se encontram para celebrar um dos maiores legados humanitários da história da Bahia.
Fotos: Divulgação
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