Nos anos 1980 até, talvez meados de 1990, consumir comida oriental em Salvador era um hábito restrito a um pequeno grupo de apreciadores. Salvo a culinária chinesa, famosa pelas porções generosas que costumavam alimentar uma família de até quatro pessoas, iguarias como peixe cru, por exemplo, despertavam desconfiança. Shoyu era um ingrediente que começava a ser conhecido e palavras como niguiri, sashimi e uramaki ainda faziam parte de um vocabulário distante dos locais.

Hoje, a realidade é outra. A culinária oriental deixou de ser uma experiência ocasional para ocupar um espaço definitivo na mesa da cidade, multiplicando restaurantes, conquistando diferentes faixas de público e, sobretudo, desenvolvendo uma identidade própria.
Essa transformação também passou pela capacidade de adaptação. Ao mesmo tempo em que o consumidor aprendeu a apreciar sabores mais delicados, a cozinha oriental incorporou ingredientes, texturas e combinações que dialogam com o paladar brasileiro — e, em muitos aspectos, com o baiano.
É nesse contexto que o Oriente Fast, especializado nas culinárias japonesa e chinesa, inicia uma nova etapa de sua trajetória. A casa acaba de colocar em prática um processo de “rebranding” que vai muito além da nova identidade visual. O objetivo é atualizar a marca acompanhando as mudanças do mercado e o amadurecimento do público, que hoje conhece melhor a culinária oriental e também busca experiências mais autorais.

As primeiras mudanças já chegaram ao cardápio e eu, depois de uma experiência anterior que achei mais do mesmo, resolvi voltar lá, para conhecê-las. E não estamos falando da ambientação, mas das novas criações que passaram a integrar tanto o cardápio à la carte quanto o rodízio, que permanece entre os mais completos de Salvador, com mais de 70 opções.
Entre as novidades está o Oriente Roll, preparado com salmão batido, aioli levemente apimentado e farofa de tempurá sobre arroz com gergelim. A receita, embora não seja lá a maior das invencionices que os sushimans locais têm lançado nos seus menus, sintetiza uma tendência presente em boa parte da gastronomia oriental contemporânea: preservar a base técnica da cozinha japonesa enquanto incorpora ingredientes e texturas que conversam com o gosto do brasileiro.

O mesmo se aplica ao Niguiri Brulée, talvez o exemplo mais claro desse encontro de referências. A peça combina o tradicional niguiri de salmão com um delicado topping de creme brûlée maçaricado, aproximando técnicas francesas de uma preparação tipicamente japonesa. O contraste entre o calor do maçarico, a cremosidade da cobertura e a leveza do peixe produz uma combinação que há alguns anos seria improvável nos restaurantes especializados.
Completa a lista de novidades o Nori Roll, preparado com salmão (de novo ele) temperado, aioli e crocante de tempurá sobre uma cama de arroz envolta por alga nori fresca, valorizando o frescor dos ingredientes e a diversidade de texturas que passaram a marcar a cozinha oriental contemporânea.

Vale experimentar o Dyo de Salmão Maçaricado com Camarão Empanado, cream cheese e molho Oriental. Estas novas receitas passaram a conviver com sushis, sashimis, rolls tradicionais e pratos quentes que ajudaram a consolidar a reputação da casa ao longo dos anos.
Mais do que lançar novos pratos, o movimento feito pelo Orient Fast reflete uma transformação vivida por toda a gastronomia oriental no Brasil. Se antes a preocupação era apresentar uma culinária fiel às suas origens, hoje o desafio é equilibrar autenticidade e inovação.
É justamente essa leitura que o Oriente Fast começa a fazer nesta nova fase. Sem abrir mão da clientela conquistada ao longo dos anos – que, assim como eu, não abre mão daquela deliciosa já tradicional “pipoquinha de camarão” – o restaurante aposta na evolução da marca e do cardápio para acompanhar um consumidor que também mudou.
Afinal, se o baiano aprendeu a comer sushi, a culinária oriental também aprendeu, ao longo do caminho, a falar um pouco mais com o sotaque do baiano.
Serviço:
@orientefast.
Rua Borges dos Reis, nº 46, Rio Vermelho
Fotos: Divulgação
