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Pakapym transforma memórias de Makota Valdina em exposição na Casa do Benin

Mostra gratuita reúne obras digitais, instalações e textos da mestra; abertura nesta sexta-feira (6) terá relançamento de sua autobiografia

Por Rayllanna Cardoso

2 min de leitura

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Exposição Casa Benin
Pakapym com Makota Valdina na Casa do Benin Foto: Lane Silva/Divulgação

Os ensinamentos de uma mestra podem permanecer na palavra, na lembrança e também ganhar novas formas. Para o artista baiano Júnior Pakapym, a convivência com Makota Valdina se desdobra em imagens digitais e instalações. É dessa relação que nasce Ntangulumeso, exposição que abre nesta sexta-feira (6), às 17h, na Casa do Benin, no Pelourinho, com entrada gratuita.

O ponto de partida é o olhar da educadora e sacerdotiza Makota Zimewanga (Valdina Pinto, 1943-2019) sobre o tempo, a partir da filosofia Kongo em diáspora. Pakapym leva para a criação artística experiências compartilhadas com a mestra, aproximando a memória afetiva dos conhecimentos e das práticas do Candomblé Kongo/Angola.

Nessa passagem entre o vivido e o criado, a tecnologia se torna um meio de dar continuidade à transmissão de saberes. As obras digitais e instalações dialogam com a cosmologia Kongo e com a experiência contemporânea das comunidades de Candomblé. Textos criados e traduzidos pela própria Makota Valdina também integram a exposição, colocando sua produção em contato com as interpretações visuais do artista.

A presença da palavra se estende à programação de abertura, que terá o relançamento de Meu caminhar, meu viver, autobiografia da mestra. O livro estará à venda no evento e pela Editora Poder Afrikano. Assim, o público poderá se aproximar desse universo por dois caminhos: o relato de Valdina sobre a própria trajetória e a memória de quem aprendeu com ela.

Da Bahia para o mundo

Nascido em Salvador, Pakapym é artista digital, pintor e designer, com produção que aproxima tecnologia e referências religiosas e culturais afro-brasileiras. Participou de Axé Bahia, organizada pelo Fowler Museum, nos Estados Unidos, e de Raízes: Começo, meio e começo, primeira exposição internacional do Muncab, inaugurada em Marselha, na França.

Agora, esse percurso chega à Casa do Benin, espaço dedicado às relações culturais entre a Bahia e o continente africano. Administrado pela Fundação Gregório de Mattos, o equipamento reabriu em agosto e recebe a mostra como parte da programação de retomada.

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