Um manifesto que já tem a adesão de mais de 240 nomes, muitos deles de estrelas da literatura, música, dramaturgia e jornalismo do Brasil e do exterior, pede o fim do plástico nos livros. Sabe aquele invólucro que protege a publicação e, ao abrirmos, jogamos fora? Em 2024, o Brasil imprimiu 366 milhões de exemplares, sendo que 70% deles — cerca de 256 milhões de unidades — foram embalados individualmente em plástico transparente.
O documento, que circula na internet e tem provocado polêmica entre as editoras, diz que, “à primeira vista, parece um cuidado necessário: protege contra poeira, calor e umidade. Mas por trás desse gesto automático há uma contradição profunda”. Isso porque cada uma das embalagens pesa, em média, entre 1,4 e 2,7 gramas, o que equivale a 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano jogadas fora.
A ideia é liderada pelo escritor, jornalista e gestor cultural mineiro Afonso Borges, provocado pela imortal Ana Maria Machado durante uma feira literária no interior de Minas Gerais. A notícia foi dada pelo colunista do Globo Ancelmo Góis e se espalhou.
Já assinaram a iniciativa Chico Buarque, Carla Madeira, Conceição Evaristo, Zélia Duncan, Pilar Del Río, Valter Hugo Mãe, Adriana Falcão, Ailton Krenak, Andréa Beltrão, Antonio Fagundes, Denise Fraga, Drauzio Varela, Eric Nepomuceno, José Eduardo Agualusa, Silviano Santiago e Socorro Acioli. Entre os baianos, estão os escritores Itamar Vieira Junior, Paloma Jorge Amado e Antônio Torres, e a promotora Livia Sant’Anna Vaz. O documento está disponível neste link.
Entre as editoras, já há rumores de que o assunto é tratado com deboche e que, na verdade, o plástico seria uma exigência feita por gigantes do e-commerce, como a Amazon e o Mercado Livre, responsáveis pela maioria das vendas.
(Tharsila Prates)


