Uma exposição que utiliza Inteligência Artificial para reconstituir o rosto de pessoas escravizadas ocupa o segundo piso do Shopping da Bahia a partir desta quinta-feira (6) e segue até o dia 30 de novembro. Batizada de “Fragmentos de Memória”, a mostra apresenta imagens criadas por IA a partir de documentos históricos de pessoas escravizadas e libertas, como passaportes, registros de compra e venda, inventários, cartas de alforria e títulos de residência.
O material foi reunido por meio de uma pesquisa no acervo do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), instituição administrada pela Fundação Pedro Calmon (FPC/Secult-BA). A iniciativa, que faz parte das celebrações do Novembro Negro e do programa Resgate Ancestral, busca promover reparação histórica e reflexão sobre a memória da população negra no Brasil.
Além de dar rosto e voz às descrições frias encontradas nos documentos, a exposição transforma registros burocráticos em monólogos poéticos emocionantes, interpretados por personalidades negras brasileiras. A construção da exposição envolveu levantamento arquivístico em 20 fundos custodiados pelo APEB, digitalização e transcrição paleográfica dos documentos selecionados, além de um levantamento iconográfico que dialoga com pesquisas acadêmicas e obras visuais históricas, como as de Jean-Baptiste Debret (1816–1831) e as fotografias de Marc Ferrez (1882–1885).
Foto: Divulgação
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