O Centro Cultural Solar Ferrão, um dos principais equipamentos culturais do Centro Histórico de Salvador, voltou a receber visitantes nesta terça-feira (14) após um amplo processo de requalificação física e museológica. A intervenção renovou os espaços expositivos, modernizou os sistemas de segurança e reformulou a experiência de visitação, propondo um diálogo mais amplo entre patrimônio, memória e diversidade cultural.
A nova fase do Solar Ferrão parte de um conceito que transforma o próprio edifício em elemento central da narrativa. A arquitetura colonial, a história do casarão e sua localização no coração do Pelourinho passam a integrar o percurso expositivo, estabelecendo conexões entre o espaço e os diferentes acervos apresentados ao público.
Em vez de manter as coleções organizadas de forma isolada, o projeto aproxima diferentes matrizes culturais que ajudaram a formar a identidade baiana. As obras do Museu de Arte Sacra Abelardo Rodrigues dialogam com os registros das culturas populares e afro-brasileiras reunidos por Emília Biancardi, além da Coleção Claudio Masella, dedicada à arte africana, criando uma leitura integrada sobre a diversidade cultural do estado.
A requalificação também incluiu novos recursos de mediação cultural, melhorias de acessibilidade e a renovação dos ambientes destinados aos visitantes. A proposta é tornar a experiência mais dinâmica e alinhada aos debates contemporâneos sobre patrimônio, representatividade e preservação da memória.
Erguido entre os séculos XVII e XVIII e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Solar Ferrão é considerado um dos mais importantes exemplares da arquitetura civil colonial de Salvador. O casarão acompanha o desnível natural do Centro Histórico, com três pavimentos voltados para a fachada principal e seis nos fundos.
O complexo cultural também abriga, desde o ano passado, a Casa das Matriarcas Odé Kayodè, espaço dedicado à valorização da trajetória das lideranças femininas das religiões de matriz africana. Instalado na casa onde nasceu Mãe Stella de Oxóssi, o equipamento amplia a proposta do Solar Ferrão de preservar e difundir diferentes narrativas que compõem a história da Bahia.
Fotos: Reprodução
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