Vinho, comida e música: por dentro da experiência do Wine Brasil Music, festival que vai até domingo

Quem assim como eu circulou pela Wine Brasil Music nos dois primeiros dias deve ter percebido que, nesta segunda edição, o festival ampliou sua vocação. O vinho permanece como fio condutor, mas divide cada vez mais a cena com a gastronomia, que ganhou peso e personalidade dentro da programação — e, para mim, isso faz toda a diferença.

Até domingo, o evento ocupa o Palacete Tirachapéu, o Chile 27 e avança pela Rua Chile, tomada por estações de vinhos, pequenos palcos com atrações musicais, comidinhas e até parrillas. Um encontro que mistura vinho, comida, música e diversão em pleno Centro Histórico. E está tudo lindo de se ver.

Edd Campos, chef assador

Com um público aproximado de 8 mil pessoas na estreia, no ano passado, o evento cresceu, ganhou novos espaços e espalhou sua programação pelo Centro Histórico.  Mas não foi apenas uma expansão física. O que temos visto nesses dias é uma aproximação muito mais interessante entre o vinho, a comida e a própria cidade. Tanto que a Prefeitura de Salvador, através da Saltur, incluiu o WBM no seu calendário anual de eventos.

E a Rua Chile ajuda muito nessa história. Caminhar por ali entre uma degustação e outra, encontrar gente conhecida, ouvir música, provar um vinho e, logo adiante, descobrir alguma coisa saindo da brasa muda completamente a relação com um evento desse gênero. Em vez daquela lógica previsível das feiras realizadas entre estandes, o Wine Brasil Music começa a adquirir uma atmosfera de festival. E foi justamente a comida que ajudou a levar essa experiência para a rua.

Acarajé também está no Wine Brasil Music

Afinal não é todo dia que você tem à frente de um braseiro, no meio da rua, o chef assador pentacampeão brasileiro de churrasco e vencedor da categoria Chef’s Choice no prestigiado Jack Daniel’s World Championship Invitational Barbecue, considerado a copa do mundo do churrasco) nos Estados Unidos. Pois é, Edd Campos está lá colocando fogo nessa conversa com o Chão de Brasa na Rua, levando a parrilla para perto do público.

Parrilla na rua

E ele não está sozinho. Mais adiante o chef Ricardo Silva, do Silva Cozinha, abriu uma janela para os vinhos – servidos em taça de acrílico para que as pessoas possam circular na rua com segurança – e instalou na porta do seu restaurante, que segue aberto das 11 até o fim da festa, uma parrilla onde prepara espetinhos de camarão, lula, atum selado, e outros frutos do mar, além de vários vegetais que também entraram no jogo das brasas.

Gosto particularmente dessa combinação porque há algo de muito direto na relação entre fogo, comida e vinho. Não precisa de grandes explicações: quando os três se encontram bem, a conversa acontece naturalmente. Mas a gastronomia não ficou restrita à rua. Os restaurantes do entorno entenderam o movimento e ajudaram a elevar a temperatura de suas cozinhas criando menus especiais para o evento.

Expositores de vinhos

No Fasano, por exemplo, o tradicional menu executivo do Gero ganhou uma edição especial para o festival e, até amanhã, está sendo servido excepcionalmente tanto no almoço quanto no jantar. São três etapas — entrada, principal e sobremesa — por R$ 130, mais taxas. Quem participa do Wine Brasil Music ainda recebe uma taça de Sauvignon Blanc da UVVA.

Assim, temos uma cozinha de matriz italiana instalada no térreo do hotel, na Praça Castro Alves, encontrando o vinho produzido na Chapada Diamantina. A UVVA, aliás, está entre as vinícolas baianas presentes no festival, ao lado da Vaz, da Sertânia e de outras tantas, numa feira que reúne produtores de diferentes regiões brasileiras e importadoras com rótulos estrangeiros.

Música na rua

Mas voltando à gastronomia, esta ganhou ainda um daqueles momentos que, por si só, já ajudam a marcar uma edição: um jantar harmonizado com o chef francês Claude Troisgros. Soma-se a isso as parrillas, os menus especiais e as experiências que foram surgindo em torno do evento deixando evidente que a comida encontrou seu espaço dentro do Wine Brasil Music.

Degustação

Fico com a impressão de que o Wine Brasil Music encontrou na gastronomia uma avenida enorme para crescer. Não se trata de colocar comida ao lado do vinho apenas para acompanhar a taça. É pensar a cozinha como parte da experiência, provocar chefs, criar harmonizações, ocupar restaurantes, levar fogo para a rua e fazer com que o público atravesse o Centro Histórico atrás do próximo prato e da próxima garrafa.

O festival termina amanhã, mas ainda dá tempo de caminhar pela Rua Chile, provar vinhos das mais diversas castas e procedências, comer as delícias servidas ali e entender um pouco dessa transformação. Eu pretendo aproveitar. Porque, depois de alguns dias por lá, uma coisa ficou clara para mim: o Wine Brasil Music pode ter o vinho no nome, mas é quando ele chega à mesa que a festa fica muito mais interessante.

Serviço:
@winebrasilmusic
Onde: Rua Chile
Quando: Sábado, das 14h às 22h/ Domingo, das 11h às 17h
Vendas: site da Zig Tickets

Fotos: Betto Jr/Divulgação

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