A Sala Walter da Silveira recebe a mostra “O Cinema anticolonial de Sarah Maldoror”, dedicada à obra da cineasta francesa, uma das primeiras mulheres negras a filmar no continente africano. Ao todo, serão exibidas 34 produções, entre curtas e longas-metragens, assinadas por Maldoror ou por diretores que dialogam com a sua filmografia. O evento será realizado entre os dias 5 e 24 de março, com entrada gratuita.
A abertura acontece no dia 5, às 18h, com a exibição de “Monangambé” (1968), primeiro filme da diretora. Em seguida, às 19h, será apresentada a versão restaurada de “Sambizanga” (1972), seu trabalho mais conhecido e premiado no Festival de Berlim.
Outros filmes exibidos são aqueles nos quais Maldoror atuou como assistente, como “A Batalha de Argel” (1966), do italiano Gillo Pontecorvo e o documentário “Elas”, do argelino Ahmed Lallem. Também integram a mostra o filme “Sem Sol” (1982) e um episódio da série “A herança da coruja” (1989), produzidos pelo francês Chris Marker, que utilizam imagens captadas pela francesa.
O evento ainda conta com a leitura dramática do roteiro inacabado “As garotinhas e a morte”, um dos mais de 40 projetos deixados por Maldoror, comandada pela cineasta baiana Safira Moreira. A mostra é realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil e a programação completa está disponível no site bb.com.br/cultura.
Nascida na França, filha de pai guadalupense, Sarah Maldoror (1929–2020) atuou por mais de quatro décadas e construiu sua obra a partir das lutas de libertação em Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau, tratando de temas como imigração, engajamento político e pensamento decolonial. Através de suas obras, ela buscava dar ênfase ao protagonismo feminino nas insurgências africanas.
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