A Perini vai encerrar as atividades da unidade da Pituba neste sábado (28). A decisão, segundo a assessoria de imprensa do grupo, faz parte de uma estratégia de reposicionamento da marca e da adoção de um modelo de operação mais eficiente. Os colaboradores serão avaliados para atuar na unidade da Graça e no Café Perini, no Costa Azul.
A notícia pegou os clientes de surpresa. Nas redes sociais, muitos deles se mostraram tristes com o fim das atividades da loja, que se tornou parte da rotina do bairro. “Uma das melhores coxinhas da cidade! Lastimável, mas a qualidade de todo o resto estava bem abaixo. Era sustentada apenas por uma legião de fãs do passado de qualidade e esmero”, comentou um internauta no Instagram.
O encerramento também demandará uma negociação com os donos do imóvel: a família Faro, antiga proprietária da Perini e donos do Almacen Pepe. “O imóvel da Pituba é nosso, estava alugado para a empresa chilena. Teremos que receber alguma indenização e vamos discutir isso nas próximas semanas.”, explicou André Faro ao Portal Ronaldo Jacobina.
O fechamento ocorre em meio a uma série de mudanças promovidas pela empresa nos últimos anos. Em 2021, a Perini fechou a sua primeira unidade, localizada na Rua Miguel Burnier, na Barra. Nos anos seguintes, as lojas da Vasco da Gama, Shopping da Bahia, Salvador Shopping, Shopping Paralela e Shopping Barra, inaugurada em 1989, também tiveram suas atividades encerradas.

História
A Perini foi fundada em 1964, por Delmiro Carballo Alfaya e José Faro Rua, o Pepe, com o nome de Panificadora Elétrica da Barra. Em 1979, a empresa expandiu suas atividades para a Pituba e passou a se chamar Panificadora, Doceria e Sorveteria Perini. Um ano depois, a rede inaugurou sua primeira unidade em um shopping, o então Iguatemi. As décadas seguintes foram marcadas pela abertura de novas lojas no Shopping Barra (1989), Vasco da Gama (1995), além da expansão do mercado da Pituba para um novo local, na Rua Maranhão, em 2000.
“Eu costumo brincar que nasci dentro de um forno de padaria, porque cresci no andar de cima da primeira loja da Barra, respirando aquele cheiro de pão quente. Essa ligação afetiva com o ofício é o que moldou não só a trajetória dele (o pai), mas também a minha”, escreveu André, que é filho de Pepe, em artigo publicado no CORREIO, no ano passado.

Em 2010, a rede possuía oito lojas em Salvador. Naquele ano, foi vendida para o conglomerado chileno Cencosud, com supermercados em diversos países na América do Sul e nos Estados Unidos. No Brasil, a empresa é dona do GBarbosa e do Mercantil Atacado. A negociação girou em torno de 27 milhões de dólares.
“A venda foi, apesar de uma oportunidade excelente de negócio, um momento difícil. Meu pai não se contentava em ficar trancafiado no escritório da importadora que montamos. Ele queria ver gente. E aquilo também me deixava angustiado”, lembrou André no texto.
Ao Portal Ronaldo Jacobina, ele recordou sobre o momento vivido pela Perini na época da transação. “Era o momento em que estávamos no auge, com a marca consolidada e houve uma proposta irrecusável da Cencosud. Não tínhamos mais capacidade de manter e crescer, pois aí teríamos que nos endividar, e não queríamos isso”.

O começo da Perini sob a gestão da Cencosud foi promissor, com a inauguração do primeiro supermercado gourmet do Nordeste, instalado no Shopping Riomar, em Recife. O que se viu, no entanto, foi uma queda no número de clientes, causada pela perda de espaço para outros concorrentes, como o Almacen Pepe, fundado pelos antigos donos em 2015.
O primeiro impacto foi o fechamento da unidade da Barra, em 2021, que deu lugar a um edifício residencial. Nos anos seguintes, as lojas da Vasco da Gama, Shopping da Bahia, Salvador Shopping, Shopping Paralela e Shopping Barra, inaugurada em 1989, também tiveram suas atividades encerradas. Neste sábado, será a despedida da Pituba, sobrando apenas as unidades da Graça e do Costa Azul.
“Acreditávamos que poderia acontecer isso e avisamos a eles quando compraram a Perini, que era um negócio que só daria certo na mão de um único dono. Eu fiquei dois anos na junta diretora, meu pai como conselheiro e sem remuneração e meu cunhado como diretor, mas não deu certo, não nos ouviam”, finalizou André.
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