Após lançar quatro livros ao longo dos últimos dez anos, a escritora baiana Mariana Paiva diz que, finalmente, teve “coragem” para escrever sobre o que já vinha ensaiando em outros trabalhos, “a história da invisibilidade das mulheres”. Em “Minhas Meninas”, livro de contos que lança no próximo dia 12 de abril, pela editora baiana P55, Mariana explora as dores, as violências e as alegrias vividas pelas mulheres, coisas que, na verdade, “coexistem”, diz. Clique aqui para comprar.
O lançamento acontecerá na Cervejaria ArtMalte, no Rio Vermelho, às 16h, com um bate papo com o jornalista Renato Cordeiro. Na ocasião, também serão lançados os livros “Push [entre sem bater]”, de Claudius Portugal e “Pré-estreia (EP)”, de James Martins, pelo selo P55. Através da ficção, a escritora aproxima o leitor das histórias de mulheres que são mães, filhas, avós. Histórias, essas, muitas vezes silenciadas dentro dos segredos da própria família. “O fantástico acaba sendo essa saída para escrevermos as histórias a partir de um jeito que nos interessa”, afirma.
Entre os oito contos, a escritora, que tem doutorado em Literatura pela Unicamp, escolheu abrir o livro com o conto “A menina, sim, menina, não”, inspirado em uma história vivida dentro da sua família. “É inspirada na história da minha tia, que faleceu aos seis anos, atropelada. Foi uma história contada à exaustão, que atravessou gerações. Escrevê-la talvez tenha sido uma forma de curar essa ferida tão grande, essa dor que não passa. Acho que as gerações aprendem a viver com ela, mas escrever também é um jeito de cicatrizar as coisas”, conta.
“Minhas Meninas” também traz narrativas inusitadas, como a da mulher que consegue negociar com a morte o seu falecimento, e também contos que permeiam o místico e a espiritualidade, em que traz uma sereia, habitante de Guaibim, que chama atenção daqueles que entram na água sem pedir licença.
Grande parte dos contos são ambientados em Salvador, o que, para a escritora, tem muito a ver com seu retorno à cidade após ter morado fora da Bahia por um tempo. ”Após o doutorado em Campinas, passei a olhar melhor para nossa cidade. Muitas histórias do livro são ambientadas aqui na Bahia. Reconhecer esses espaços é importante porque eles existem também na literatura brasileira contemporânea. É, de fato, uma afirmação desse espaço”, completa.
Mariana Paiva lança o livro “Minhas meninas” (Crédito: Iracema Chequer)