Natural de Remanso, costureiro consolidou seu nome na moda baiana com criações artesanais que chegaram a diferentes países
A costura entrou cedo na vida de Elcimar Badu. Ainda criança, em Remanso, no sertão baiano, ele aprendeu o ofício observando o trabalho da mãe. Quatro décadas depois, o que começou dentro de casa se transformou em uma carreira dedicada à alta costura, marcada por vestidos de noiva e de festa, alfaiataria sob medida, bordados manuais e modelagens exclusivas.
Ao completar 40 anos de profissão, Badu celebra uma trajetória que ajudou a projetar a moda produzida na Bahia para além das fronteiras do estado. Suas criações já vestiram nomes como Carla Perez, Ivete Sangalo, Lore Improta, Jéssica Senra, Alex Lopes e Victor Hugo, além de clientes nos Estados Unidos, Itália, Finlândia e Emirados Árabes Unidos.

Em 2026, o costureiro também ganhou projeção nacional após assinar os looks usados por Victor Alexandre, filho de Carla Perez, e sua noiva, Jarline Batista, em um ensaio pré-wedding. O trabalho repercutiu em veículos como Vogue Brasil, Caras e Hugo Gloss.
Em abril, Badu participou da Barcelona Bridal Fashion Week, um dos principais eventos internacionais dedicados à moda nupcial. Como convidado, acompanhou desfiles de marcas como Jimmy Choo e Isabel Sanchis.
Nos últimos anos, o costureiro ampliou sua atuação com a reinauguração do ateliê em Salvador, dedicado ao luxo sob medida, e passou a investir também na alfaiataria masculina e no desenvolvimento de coleções autorais. O novo momento criativo resultou em Alma, coleção concebida para marcar as quatro décadas de carreira.

Inspirada em sua própria história, Alma homenageia mulheres importantes em sua vida e transforma lembranças familiares, símbolos afetivos e tradições em vestidos de noiva. A proposta é aproximar a alta costura da memória, explorando a capacidade de uma roupa de preservar histórias para além da ocasião em que é usada.
A coleção foi lançada em parceria com a Fundação Instituto Feminino da Bahia, estabelecendo um diálogo entre moda, patrimônio e cultura. O projeto reafirma uma característica presente em toda a trajetória do costureiro: a valorização do trabalho manual em um mercado cada vez mais orientado pela produção em escala.

“Eu sempre prezei pela qualidade artesanal. Acredito muito que o trabalho das mãos agrega em cada peça: o toque, a sensação, o olhar humano e sensível de mãos que costuram há anos. Tudo isso coopera para a criação de peças únicas e atemporais, que contarão histórias por décadas”, afirma.
Reconhecido ao longo da carreira com títulos como Personalidade do Ano e Melhor Estilista do Ano, Elcimar Badu chega aos 40 anos de profissão mantendo o feito à mão como princípio de seu trabalho. Uma trajetória construída entre tecidos, bordados e memórias, desde o sertão baiano até as passarelas e os guarda-roupas de clientes dentro e fora do país.
Fotos: Divulgação
