O acervo do Museu Udo Knoff, o primeiro dedicado à azulejaria e cerâmica do Brasil, será incorporado ao Museu de Arte da Bahia (MAB), localizado no Corredor da Vitória. Formado por peças da coleção particular do ceramista Udo Knoff, alemão radicado em Salvador, o acervo passará a integrar o primeiro museu baiano, em um processo de transferência iniciado ainda em 2024. Uma exposição de longa duração sobre o acervo de Udo Knoff será inaugurada no início do segundo semestre de 2025, no MAB.
Para o diretor do MAB, Pola Ribeiro, a interação entre os dois museus é de extrema importância e dará uma nova dimensão à azulejaria baiana. “A Bahia tem uma cerâmica historicamente muito significativa. Temos polos importantes, como Maragogipinho, o maior centro de cerâmica da América Latina. A azulejaria da Bahia é maior até do que a do Maranhão — lá os azulejos estão muito nas áreas externas das casas, enquanto aqui temos muitos em interiores, em igrejas, prédios”, conta.
O acervo começou a ser construído por Udo ainda no fim da década de 1960, quando ele despertou interesse pela azulejaria antiga das fachadas dos casarões da cidade e passou a coletar azulejos de construções em demolição. Com a integração ao MAB, o acervo passará a contar com uma reserva técnica — inexistente na antiga sede do Pelourinho —, além de áreas de pesquisa e de restauração das cerâmicas e azulejos.
Ribeiro destaca ainda que os azulejos de Udo estão espalhados por diversos pontos do estado e reforça o papel do museu como espaço de preservação dessas peças. “É importante que o visitante perceba que os azulejos estão pelas ruas de Salvador. O lugar natural do azulejo não seria o museu, e sim a parede, a rua. Mas, quando esses espaços são demolidos, os azulejos são recuperados e vêm para cá, e a gente trabalha com eles. Temos, por exemplo, azulejos na rodoviária de Feira de Santana, feitos por Udo com desenho de Leme Braga. Então, é importante ter essa visão”, completa.
Desde agosto de 2024, o Museu de Arte da Bahia tem realizado oficinas temáticas de cerâmica, abertas ao público. Em fevereiro deste ano, foi promovida uma ação de arte pública para a confecção de peças que irão compor um painel a ser instalado no jardim do museu.
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