Pesquisadores brasileiros e estrangeiros se reunirão em Salvador, entre os dias 30 de junho e 1º de julho, durante o Encontro Internacional de Meteoritos e Impactitos, para discutir temas ligados aos meteoritos, crateras de impacto, formação do Sistema Solar e preservação do patrimônio científico. O evento terá atividades no Planetário da UFBA e no Museu Geológico da Bahia (MGB), equipamento cultural administrado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).
A programação integra as celebrações do Asteroid Day, data mundial dedicada à conscientização sobre asteroides e seus impactos na Terra, comemorada em 30 de junho. Além de palestras científicas, o encontro contará com exibição de documentário, apresentações culturais e uma viagem de campo ao local onde foi encontrado o meteorito Bendegó, no interior baiano.
O MGB terá papel central no segundo dia do evento, sediando palestras com especialistas de referência nacional e internacional em meteorítica, geologia planetária e astroquímica. Entre os convidados está o geólogo francês Ludovic Ferrière, considerado uma das principais autoridades mundiais em meteoritos e processos de impacto planetário.

Além das conferências científicas, o evento promoverá atividades culturais voltadas à memória do Bendegó. Entre os destaques estão a exibição do documentário A Pedra que Caiu do Céu, dirigido por Rodrigo Gontijo, e uma apresentação musical do artista Tatá Aeroplano.
Após a programação em Salvador, pesquisadores participarão de uma visita técnica ao local histórico onde o meteorito foi encontrado. A atividade busca reforçar a importância da preservação do patrimônio científico e cultural ligado ao Bendegó, além de estimular iniciativas voltadas à valorização da memória da região.
Bendegó
A escolha da Bahia como sede do encontro tem forte significado histórico. Foi no sertão baiano que, em 1794, foi descoberto o meteorito Bendegó, considerado o maior meteorito brasileiro em massa recuperada. A peça tornou-se um dos maiores símbolos da meteorítica nacional e integra o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
O Bendegó ganhou notoriedade internacional por ter resistido ao incêndio que destruiu grande parte do Museu Nacional em 2018. Sua trajetória também está ligada à passagem dos naturalistas alemães Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, que visitaram o local no século XIX e contribuíram para a divulgação científica da descoberta.
O Museu Geológico da Bahia mantém em seu acervo um fragmento do Bendegó, doado pelo Museu Nacional, fortalecendo a conexão entre a instituição baiana e uma das mais importantes peças da ciência brasileira.
Fotos: Divulgação
