O empresário Marcelo Sacramento ganhou cinco ações judiciais contra o Yacht Clube da Bahia, gerido por ele no período de 2015 a 2109. Após seis anos e meio de espera, o ex-comodoro saiu vitorioso de cinco diferentes processos que condenam o clube de elite baiano a pagar R$ 285 mil pela prática de perseguição política. A sentença, publicada na última semana, determina ainda que este valor seja corrigido desde 2019. Além destas condenações, ainda restam duas ações cíveis em curso e mais cinco conselheiros do clube denunciados criminalmente em notícia-crime tramitando no Ministério Público da Bahia.
A disputa judicial começou logo após o final da comodoria, período em que o clube social conquistou 23 títulos de campeão brasileiro de Vela em inúmeras modalidades do esporte; o título de Clube Esportivo do ano no Brasil, em 2017, além do Prêmio de Presidente de Clube do Ano no País, em 2018, ambos concedidos pela Confederação Nacional de Clubes. De acordo com o ex-comodoro, a perseguição, por parte de um grupo de conselheiros, tinha um cunho discriminatório com o objetivo de macular sua imagem e expulsa-lo da entidade, do qual é sócio há muitos anos, a qualquer custo.
“Diante de tamanha perseguição me vi obrigado a buscar na justiça as garantias dos meus direitos, tanto de associado, quanto de conselheiro nato, além de cidadão de bem, buscando proteger a mim e a minha família”, conta Sacramento, eleito diretor nordeste da Confederação Nacional de Clubes, cargo que ocupa até hoje.
O empresário conta ainda que tentou três vezes, com a intermediação da Confederação Nacional, fazer um acordo com o Conselho do Clube para acabar a perseguição. “Não queria levar esse litígio à frente, nunca busquei conflito algum, fui duramente atacado e perseguido, até discriminado por essas pessoas, sem motivos concretos”, diz.
Sacramento afirma ainda que gastaram muito dinheiro do clube em auditorias na tentativa de encontrar erros que o comprometessem e que nada teria sido encontrado. “Pressionaram funcionários para produzirem provas contra minha pessoa, ameaçando-as de perderem seus empregos, e não conseguiram”, conta em Carta Aberta aos Associados do Yacht Clube da Bahia.
Na carta, o Comodoro explica ainda que “mesmo com uma decisão em Tutela Antecipada da Justiça a meu favor, que foi garantida até no STF, este grupo não teve a capacidade de aceitar um acordo para acabar o litígio, preferindo expor o Clube a este vexame. Nunca pensaram em preservar a imagem do Clube, muito menos os recursos dos seus sócios, agora, seis anos depois, foi feita a justiça… Espero que esta fase reprovável e triste dos 90 anos da história do Yacht Clube da Bahia tenha sido superada e a lição aprendida”, segue.
Sacramento diz ainda que já perdoou as pessoas que o perseguiram, discriminaram e tentaram destruí-lo. “Rezei por elas, pedindo ao Senhor do Bonfim que os ilumine em suas práticas na vida. Foi um momento duro, mas muito importante para mim, vivi na prática a confirmação dos ensinamentos de Deus, que a verdade jamais perderá para a mentira, o certo nunca perderá para o errado e o Bem sempre vencerá o Mal”, conclui na carta.

Leia a carta na íntegra:
Carta Aberta aos Associados do Yacht Clube da Bahia
Queridos amigos e companheiros do Yacht,
Seis anos e meio se passaram desde que deixei a Comodoria do nosso clube. Só agora, com o coração em paz e a verdade reconhecida pela Justiça, sinto que chegou o momento de escrever a vocês. Nestes anos, vivi um dos períodos mais difíceis da minha vida. Fui alvo de calúnias publicadas oficialmente na revista do Clube que circulou em toda nossa cidade, perseguições, acusações infundadas e manobras cruéis que atingiram não só a mim, mas também minha família.
Um grupo de Conselheiros, movidos por divergências políticas, inveja e intolerância, escolheu transformar o nosso clube — que deveria ser espaço de união e amizade — em palco de perseguição e ataques pessoais. Foram anos de injustiças, de processos que nunca deveriam ter existido, de tentativas baixas de me destruir. Hoje, depois de tantas batalhas, compartilho com vocês que vencemos todas. Cinco sentenças confirmaram a verdade: não havia nada contra mim além da má-fé e da perseguição. O Yacht, infelizmente, acabou condenado a arcar com as consequências dessas práticas vergonhosas. E olha, pensando no Clube, por três vezes ofereci ao Conselho a possibilidade de um acordo mediado pela Fenaclubes (Confederação Nacional dos Clubes), eles recusaram as três vezes.
Essa não é uma vitória minha apenas — é a vitória da verdade sobre a mentira, da justiça sobre o ódio. Lamento profundamente que meu pai e meu grande amigo ex Comodoro do nosso Clube Jonh Brussel já não estejam entre nós para testemunhar esse momento. Foram eles que, com coragem e amor, estiveram mais ao meu lado, Jonny dentro do Clube, firme na minha defesa contra os caluniadores. Tenho certeza de que, de onde estiverem, vibram junto comigo. Durante este tempo, precisei gastar energia que poderia ter sido dedicada a projetos para o Clube, à vela, à natação, aos nossos jovens.
Ainda assim, nunca deixei de acreditar no trabalho que realizamos juntos: os títulos conquistados no Brasil e no mundo, os investimentos, o reconhecimento nacional e internacional, a paz selada com a Vila Brandão, a compra do terreno da Ladeira da Barra, a construção do estaleiro 4, a honra de representar o nosso Clube em Brasília recebendo o Mérito Naval, Clube esportivo do ano e presidente do ano do Brasil. Foram anos de entrega e de paixão verdadeira por essa casa que tanto amo. Sei que muitos de vocês acompanharam tudo de perto e sofreram comigo.
Sei também que muitos ficaram em dúvida diante de tantas mentiras repetidas. É por isso que escrevo: para que todos saibam que a justiça foi feita. E mais do que isso — para que possamos virar a página. Aprendi nesses anos que, com gente, não se marca, não se ferra, não se mata, como diz a canção Disparada. Com gente é diferente: se acolhe, se respeita e também se perdoa. E eu perdoo, de coração esses incautos. Sigo em frente com a mesma fé que sempre guiou a minha vida: a fé de quem não foge da luta, de quem acredita no poder da verdade, de quem nunca perde o foco.
Ao me dirigir a vocês agora, não falo apenas como ex-Comodoro ou Conselheiro Nato e Diretor Nordeste da FENACLUBES. Falo como amigo, como alguém que ama profundamente este Clube. Que este fim de ano traga paz, saúde e família reunida a todos nós.
Um abraço fraterno, Marcelo Sacramento de Araujo.
Conselheiro Nato do YCB e Diretor Nordeste da Confederação Nacional de Clubes.
Fotos: Divulgação
