A nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a cotação do dólar e gerou apreensão quanto aos impactos na economia baiana.
Exportadora de produtos como soja, manga, cacau, algodão, café, celulose e combustíveis, a Bahia deve ser afetada pela medida, segundo Tiago Matos, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Relações Internacionais da Unijorge. “O impacto das tarifas deve ser sentido de forma geral entre os entes federados, e de forma específica de acordo com as relações comerciais de cada estado brasileiro com os Estados Unidos”, afirma.
Na Bahia, essas relações envolvem tanto o agronegócio quanto a indústria. “Vão desde o setor primário […] como também impacta a indústria, principalmente neste momento em que o estado recepciona novos investimentos produtivos”, destaca Matos. A importação de máquinas e insumos industriais dos EUA pode ser prejudicada, o que compromete a instalação de novas plantas.
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) também demonstrou preocupação em nota oficial, citando possíveis impactos nos setores de celulose, petroquímica, manteiga e licor de cacau, além de pneus. “Na indústria baiana, a medida pode afetar segmentos […] que fazem parte da cadeia regional”, informou.
Os EUA são o terceiro maior destino das exportações baianas. No primeiro semestre de 2025, os embarques somaram US$ 440 milhões — 8,3% do total exportado pela Bahia no período, segundo a Fieb. A celulose tradicional respondeu por US$ 71,4 milhões, equivalente a 16,2% das vendas baianas para o país.
A lista de produtos potencialmente atingidos inclui ainda celulose solúvel, benzeno, isopreno, paraxileno e ácido acrílico. Empresas norte-americanas instaladas no estado também podem ser prejudicadas pela dependência de insumos importados.
Matos aponta dois efeitos principais: risco de excedente de produtos e desestímulo a investimentos. “Desestímulo de investimentos produtivos e consequentemente aumento do desemprego nas cadeias produtivas que miram o mercado estadunidense”, alerta.
Além disso, caso o Brasil adote medidas de reciprocidade, as importações de produtos norte-americanos devem ficar mais caras. “Importamos dos Estados Unidos produtos de maior valor agregado […] cujo aumento de preço gera um efeito imediato no bolso do consumidor”, diz o pesquisador.
A consequência pode ser percebida em duas etapas. “O primeiro e mais imediato é um aumento da oferta interna de produtos que costumávamos exportar para os Estados Unidos […] o que beneficiaria o consumidor interno”, afirma Matos. No entanto, ele alerta que o efeito tende a ser passageiro: “A médio prazo, a expectativa é que haja uma margem de incremento de preços desses produtos”.
Com informações do jornal Correio.
