Memória familiar inspira Gabriela Cruz em obra dedicada a Santa Dulce

Uma memória que atravessa gerações da família da jornalista e ilustradora Gabriela Cruz ganhou forma, cor e novos significados em uma obra dedicada a Santa Dulce dos Pobres. A artista baiana transformou as histórias que ouviu desde a infância sobre a relação de sua avó e de sua tia com a religiosa em uma ilustração que será apresentada nesta quinta-feira (20), em Salvador.

A obra, de 60 por 80 centímetros, integra a exposição “13 Gestos de Santa Dulce”, no Barro Vermelho Atelier e Galeria de Arte, que representa a artista. Gabriela partiu de uma conhecida fotografia na qual Santa Dulce aparece abraçando um menino para criar uma composição em sua linguagem visual, marcada pelas cores intensas, contornos fortes e referências pop.

Na imagem, trechos da oração de Santa Dulce são escritos à mão acompanhando os contornos das figuras, enquanto estrelas e raios luminosos se espalham sobre um fundo vermelho. Criado digitalmente, o trabalho foi posteriormente impresso sobre canvas.

Gabriela Cruz
Foto: Divulgação

“Eu queria trazer cor e energia para a imagem sem perder o respeito pela figura de Santa Dulce e pela verdade daquele momento. Mais do que reproduzir uma fotografia, quis preservar o acolhimento presente naquele abraço”, explica Gabriela.

Por trás da criação está uma história que antecede o nascimento da artista. Sua avó Faustina, conhecida como Duduca, e sua tia Naide deixaram Nazaré das Farinhas e foram viver na Cidade Baixa, nas proximidades das Obras Sociais Irmã Dulce. As duas conheceram a religiosa e estavam entre as pessoas que colaboravam com seu trabalho por meio de doações.

Uma lembrança recente da tia acabou sintetizando para Gabriela a dimensão daquela convivência. “Outro dia, relembrando aquela época, minha tia disse: ‘Meu Deus, eu conheci uma santa’. Eu não cheguei a conhecê-la, embora ela ainda estivesse viva quando nasci, mas cresci ouvindo sobre sua perseverança e sobre a dimensão do trabalho que realizava em Salvador.”

É justamente esse elo entre uma memória herdada e sua própria trajetória artística que Gabriela leva agora para a galeria. “Participar desta exposição aproxima essas memórias da minha trajetória como artista”, afirma.

Com passagem pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, Gabriela desenvolve uma produção autoral baseada principalmente na ilustração digital, reunida no projeto “De Tudo Que Eu Vejo”. Seu trabalho explora cores vibrantes e elementos da cultura pop, linguagem que agora encontra uma das figuras mais simbólicas da história recente da Bahia.

Gabriela está atualmente em Nova York, onde realiza uma pesquisa pessoal de referências visuais a partir de visitas a museus, galerias e outros espaços culturais, e por isso não estará na abertura.

A obra poderá ser vista a partir desta quinta-feira (20), quando será aberta “13 Gestos de Santa Dulce”, das 19h às 21h, no Barro Vermelho Atelier e Galeria de Arte, no Rio Vermelho. A coletiva integra a agenda oficial das Obras Sociais Irmã Dulce e reúne 16 artistas, entre eles Bel Borba, Eliezer Nobre e Felix Sampaio.

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