A peça/instalação Bença, que marcou os 20 anos do Bando de Teatro Olodum, acaba de ganhar o Prêmio Leda Maria Martins, na categoria Palco em Negro, para espetáculos de longa duração. O encenador Marcio Meirelles comemorou o feito em sua rede social: “Alegria enorme saber do prêmio. Foi o último espetáculo que criei para o Bando de Teatro Olodum. E parece que Bença, realmente, deveria ser meu último para o grupo. Era uma síntese/sankofa de todo o trabalho que desenvolvemos. Uma revisão do projeto, uma reverência aos mais velhos, aos espetáculos que fiz antes para o Bando – especialmente ONovoMundo – e também aos artistas fundadores de um teatro negro na Bahia”.
Ele também cita os cocriadores premiados, junto com atrizes e atores do Bando: Jarbas Bittencourt, que reposicionou o papel da música; Zebrinha, que orquestrou os movimentos; Maíse Xavier, responsável pelo audiovisual; Chica Carelli, que ajudou a pensar o espetáculo junto com Marcio, trabalhando as atuações, assumindo os ensaios e produzindo; e todo o Teatro Vila Velha, como território, abrigando e tornando possível o que ele chamou de invenção.
A encenação trata da memória cultural do povo negro e sua ancestralidade e respeito aos mais velhos. Contemporâneo e não linear, o espetáculo aborda a passagem do tempo como algo construtivo e enriquecedor. Os atores contracenam com imagens em vídeo, projetadas em três telas. Aparecem figuras emblemáticas, guardiãs da cultura afro-brasileira, que dão depoimentos sobre a temática. A dança vem de rituais afro-brasileiros e a música dialoga com ritmos sagrados de tambores e sons sampleados e manipulados digitalmente.

Fotos: Guto Muniz


