A Festa Literária Internacional do Pelourinho começou a revelar os primeiros nomes de sua próxima edição, que acontecerá entre os dias 5 e 9 de agosto, no Centro Histórico de Salvador. Para marcar os dez anos do evento, a programação inicial aposta em um quarteto de escritoras que ocupa posições centrais na literatura brasileira contemporânea: Carla Madeira, Ana Maria Gonçalves, Aline Bei e Bárbara Carine.
A edição de 2026 terá como homenageada a poeta baiana Myriam Fraga, figura histórica da cena literária baiana e idealizadora da própria Flipelô. A escolha reforça um eixo que atravessa toda a curadoria deste ano: o protagonismo feminino na construção da literatura, da memória cultural e do pensamento contemporâneo brasileiro.
Fenômeno editorial dos últimos anos, Carla Madeira consolidou uma legião de leitores com romances como Tudo é rio, Véspera e A natureza da mordida, obras marcadas por intensidade emocional e personagens atravessados por afetos complexos. Já Ana Maria Gonçalves, integrante da Academia Brasileira de Letras, é autora de Um defeito de cor, considerado um dos livros mais relevantes da literatura brasileira contemporânea.



Ana Maria Gonçalves, Aline Bei e Bárbara Carine. Fotos: Divulgação
Também confirmada na programação, Aline Bei tornou-se referência de uma escrita que aproxima poesia, oralidade e experimentação narrativa, especialmente em títulos como O peso do pássaro morto e Pequena coreografia do adeus. A autora construiu uma linguagem própria dentro da nova geração da literatura brasileira, transitando entre delicadeza e ruptura estética.
Representando a produção intelectual baiana contemporânea, Bárbara Carine amplia o diálogo da Flipelô com temas ligados à educação, racialidade e transformação social. Professora, escritora e influenciadora educacional, ela se tornou uma das vozes mais presentes nos debates sobre ciência, identidade e pensamento antirracista no país.
A homenagem a Myriam Fraga também alcança o artista baiano Calasans Neto, parceiro histórico da escritora e responsável pelas ilustrações de diversas de suas obras desde os anos 1960. Ao longo de uma década, a Flipelô consolidou o Pelourinho como um dos principais territórios da literatura no Brasil, transformando ruas, largos e casarões históricos em espaços de encontro entre autores, leitores e diferentes expressões da cultura contemporânea.
Fotos: Divulgação
