Fotos: Acervo Instituto Mario Cravo Neto
A vida e a arte de Mário Cravo Neto (1947–2009), um dos mais prestigiados fotógrafos e artistas plásticos baianos, são o tema da nova exposição inédita da Caixa Cultural Salvador, que abre na próxima quarta-feira (23), às 19h. Intitulada “Sob o sol da Bahia”, a mostra mergulha nos anos formativos da trajetória de Cravo Neto, entre 1967 e 1975 — um período marcado por intensa experimentação artística e existencial.
Com curadoria de Christian Cravo, fotógrafo e filho do artista, a exposição reúne fotografias, objetos, vídeos, desenhos e pinturas em aquarela. O recorte escolhido retrata uma fase de grande produção, encerrada por um grave acidente que redefiniu sua trajetória. Para o curador, “o maior legado de Mario Cravo Neto foi o de um artista que acreditou profundamente em sua vocação, mesmo em uma época em que linguagens como o cinema e a fotografia ainda não eram amplamente reconhecidas nas artes visuais”. Ele destaca ainda a interdisciplinaridade da obra do pai, que transitou com maestria entre pintura, escultura, land art, fotografia e cinema.

Aquarela pintada pelo artista
Ao todo, são quarenta fotografias — coloridas e em preto e branco — que retratam pescadores, estivadores, plantações de tabaco e representações afrodescendentes em Salvador e no Recôncavo Baiano. As aquarelas evocam o movimento das ondas do mar, enquanto os filmes em 8 mm exploram o corpo em três diferentes dimensões: a dança (Gato Capoeira, de 1975), o trauma (Lua e Sombra, de 1975) e o nascimento da filha (Lua Diana, de 1972). As obras serão exibidas em um projeto expográfico que integra vídeos, objetos e gravuras de forma contínua e sensorial. Realizada pela Via Press, a mostra tem patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, com apoio institucional do Instituto Mario Cravo Neto.
A curadoria propõe um olhar transversal sobre o período experimental do artista, destacando sua transição para a fotografia como linguagem principal. Após o acidente que o deixou imobilizado por um ano, Cravo Neto passou a desenvolver sua icônica técnica de retratos em estúdio com fundo branco — marco de sua projeção internacional e de sua ruptura com a sombra artística do pai, o escultor Mario Cravo Júnior.
A multiplicidade de expressões é um traço central no projeto curatorial, já que a exploração de atmosferas plurais tornou-se característica recorrente em sua obra. Fotógrafo, desenhista, escultor e cineasta, Cravo Neto encontrou no povo baiano, no candomblé e na religiosidade as fontes para nutrir sua criação.

Visitas guiadas e roda de conversa com o curador
Também estão previstas uma visita mediada, seguida de roda de conversa com o curador Christian Cravo, e uma oficina de fotografia — com datas a serem divulgadas. As atividades abordarão as técnicas e o olhar singular de Cravo Neto, ampliando a compreensão sobre sua obra. Toda a programação será aberta ao público e contará com recursos de acessibilidade.
Sobre o artista
Mario Cravo Neto foi um dos primeiros fotógrafos brasileiros a conquistar reconhecimento no circuito das artes visuais. Suas obras integram acervos de instituições como o MoMA (Nova York), o Stedelijk Museum (Amsterdã), o Museo Reina Sofía (Madri) e o MAM-RJ. Participou de cinco edições da Bienal Internacional de São Paulo e publicou 11 livros. Desde 2015, parte de seu acervo — cerca de 100 mil imagens — está sob a guarda do Instituto Moreira Salles.
Profundamente ligado à Bahia, Cravo Neto dizia: “Salvador é para mim o grande terreiro. O homem da Bahia carrega consigo seus antepassados. É assim que vejo essa cidade e, sobretudo, meu povo.”
Serviço:
Abertura: 23 de julho, às 19h
Período de visitação: de 24 de julho a 02 de novembro de 2025
Horário: terça a domingo, das 9h às 17h30
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Instagram: @exposicaomariocravoneto
Informações: (71) 3421-4200


