Pesquisa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aponta que traços individuais aumentam a propensão a infrações e acidentes, mesmo diante da fiscalização rígida
Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social (PPGPS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) buscou entender por que, mesmo com leis rigorosas e campanhas de conscientização, algumas pessoas ainda insistem em dirigir depois de beber. O estudo analisou como certos traços de personalidade se relacionam com infrações, acidentes e o hábito de conduzir sob efeito de álcool.
Os resultados apontam que perfis ligados à busca por sensações fortes, à extroversão e a traços de psicopatia estão mais propensos a esse comportamento. Extrovertidos, por exemplo, se expõem mais a situações sociais com consumo de álcool, enquanto quem busca adrenalina tende a ver o trânsito como espaço para experiências estimulantes. Já a psicopatia foi associada à irresponsabilidade e ao pouco respeito às punições legais.
Na outra ponta, a abertura a experiências apareceu como fator de proteção, reduzindo as chances de infrações e acidentes. Um dado que chamou atenção foi a impulsividade, geralmente vista como risco, não ter se mostrado relevante nesta análise.
Segundo o pesquisador Renan Monteiro, os achados podem ajudar a tornar as avaliações psicológicas do trânsito mais consistentes. “Traços de personalidade são estáveis e podem indicar risco de reincidência, reforçando a importância de intervenções de longo prazo voltadas à promoção de um trânsito mais seguro”, explicou.
O trabalho foi publicado no periódico internacional Traffic Injury Prevention e contou com a colaboração de pesquisadores da University College Cork, na Irlanda. A equipe já planeja novos estudos, incluindo outros modelos de personalidade, para ampliar a compreensão sobre o impacto psicológico no trânsito.


