Salvador pode desaparecer do mapa costeiro até o fim do século se o planeta continuar aquecendo no ritmo atual. O alerta vem da Climate Central, referência mundial em ciência climática, que mapeou áreas vulneráveis ao avanço do mar. A capital baiana aparece entre os pontos mais sensíveis do litoral brasileiro, ao lado de cidades como Rio de Janeiro, Santos e Recife. Desde 1993, o nível do oceano já subiu 9 centímetros, e a projeção indica que pode chegar a 80 cm em 2100, colocando bairros inteiros em situação crítica.
A ameaça não se limita à linha da costa. O meteorologista, pesquisador e professor universitário Carlos Nobre — destacado internacionalmente pelos estudos sobre aquecimento global e mudanças climáticas — alerta que o aumento das temperaturas pode transformar a faixa equatorial em um ambiente hostil à vida humana por mais de 200 dias ao ano caso o mundo ultrapasse 2,5°C de aquecimento.
Em Salvador, isso significaria ondas de calor extremas, desertificação crescente no estado e perdas irreversíveis de áreas turísticas e paisagens icônicas — da orla atlântica à Baía de Todos-os-Santos.
Especialistas reforçam que parte do impacto já é inevitável, mas intervenções urgentes podem reduzir danos e proteger a população.
Entre as prioridades estão planos de adaptação para zonas costeiras, obras de contenção, preservação de manguezais e políticas severas de descarbonização. O futuro do litoral brasileiro passa pelas decisões tomadas agora: sem ação imediata, símbolos de Salvador podem estar submersos em poucas gerações.
Foto: Sara Barnuevo


