Salvador se prepara para revisitar um de seus espíritos mais indomáveis. No dia 20 de novembro, o Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, será tomado pela energia vibrante de Wilson Mello, ator, dramaturgo e personagem inesquecível do teatro baiano. É quando estreia Minha Cuba, Minha Máxima Cuba, documentário de Júlio Góes que remonta a trajetória do artista com afeto, humor e lirismo — traços que moldaram sua presença arrebatadora nos palcos e nas telas. Serão duas sessões especiais, às 19h e 20h45, com a presença do diretor e equipe.
A obra convida o público a mergulhar na vida e no legado de Mello, cujo talento parecia sempre extrapolar o palco. Irônico, provocador e profundamente humano, ele atravessou décadas transformando o cotidiano em arte. Com imagens de arquivo, trechos de espetáculos e depoimentos de grandes nomes da cultura, o filme reaviva uma era dourada do teatro baiano e a liberdade criativa de quem nunca se contentou com o óbvio.
O título — Minha Cuba, Minha Máxima Cuba — nasceu de uma expressão típica de Mello, usada para pedir seu drink preferido, a clássica Cuba Libre. A anedota, carregada de humor e teatralidade, sintetiza o espírito livre e irreverente do ator, agora transformado em metáfora por Júlio Góes. O documentário faz do brinde uma ode à criação, convertendo o gesto cotidiano em símbolo de resistência e paixão artística.
Do palco à tela, Wilson Mello construiu uma trajetória intensa. Esteve em montagens históricas, como Eles Não Usam Black Tie — que inaugurou o Teatro Vila Velha —, Quincas Berro d’Água, Lábios que Beijei e O Terceiro Sinal, além de atuar em clássicos do cinema nacional, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres e Tieta do Agreste. Fruto de cinco anos de pesquisa, o longa de Góes — realizado pela VPC CinemaVídeo, em coprodução com a Abará Filmes e Og CineLab — é mais que um tributo: é um reencontro com a alma inventiva de um artista que continua a inspirar a Bahia e o Brasil.
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