Há 25 anos, a empreendedora Miralva Souza Batista decidiu abrir um pedacinho da Bahia em um dos bairros mais baianos de Salvador, o Candeal, onde vive há cinco décadas. O Esquina 43 se especializou em camisas personalizadas, com letras de música e desenhos tribais, feitas com material de primeira.
Os itens à venda também incluem roupas com estampas africanas, objetos religiosos, acessórios em geral e até instrumentos musicais.
Um dia, ‘turistando’ pela capital baiana, o participante de um congresso da área de saúde visitou a loja e perguntou se Miralva não gostaria de levar os produtos para o evento. Esse foi o pontapé para o que hoje é conhecido como Lojinha da Bahia, um espaço colaborativo criado ainda na pandemia, com seis empreendedoras que se reúnem para levar o melhor do artesanato para os mais diferentes eventos em Salvador, nacionais e internacionais.
Só neste ano, a Lojinha já participou de 12 eventos e tem outros três agendados. Um recente foi a Exposibram, um dos mais importantes do setor de mineração na América Latina. “Penso sempre como Deus é bom: eu pequenininha no meio desse mundo gigante de empresas, negócios e profissionais das mais diferentes áreas”, comenta Miralva, 58 anos.
Ela ainda diz se sentir felicíssima, porque não só conseguiu um lugar para ela, mas também para as suas parceiras, selecionadas a partir da qualidade do que produzem. “Tenho a preocupação de o cliente sempre levar daqui para outro estado ou país um produto que seja diferenciado e sustentável. Quero oferecer o melhor no estande.”
Miralva conta com a ajuda preciosa da filha Thaís — quando a mãe não está na loja ou nos estandes é a filha quem toma conta — e com gente muito especial que deu um empurrãozinho para a empreendedora ser quem é. E falando de Candeal dá para imaginar quem é. O cantor, compositor e multi-instrumentista Carlinhos Brown é o xodó de Miralva. “Aprendi com ele a humildade de puxar os outros para onde a gente está. É meu professor, me espelho nele todos os dias.”
A mãe de Brown, dona Madalena, mantém no bairro o Restaurante D’Madda, com suas receitas de mocotó, moqueca de arraia e feijão que faziam a alegria da equipe e de amigos do filho ilustre. Já há uma ideia da Lojinha da Bahia também montar um espacinho no restaurante para expor suas preciosidades. Não faltam vontade de trabalhar e gente amiga para mais esse plano dar certo.


