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Seja nos antiquários, nas oficinas de restauração ou nos sebos, além de falar do passado, quem vive na Rua Ruy Barbosa, no Centro Histórico de Salvador, olha para o presente e questiona o futuro. Sem exceção, todos que trabalham por lá esperam que, assim como os comércios repletos de histórias e cultura, a rua volte a ser cheia e movimentada.

Olhando para o lado, especificamente para a Rua Chile, que é paralela à Ruy Barbosa, os resistentes veem um exemplo de revitalização que, parcialmente, os agradaria. Isso porque, apesar das intervenções urbanas, a vizinha não recuperou a característica comercial de antes — traço que quem está na Rua Ruy Barbosa faz questão de preservar em uma eventual mudança.

O anseio pelo resgate do passado não é à toa, já que o logradouro já viveu tempos de ouro, como conta o historiador Rafael Dantas. “Falar sobre aquela área da Rua Ruy Barbosa é compreender um dos eixos importantes das dinâmicas socioculturais e comerciais de Salvador desde a criação da cidade”, explica Dantas, lembrando que a via nem sempre foi do jeito que está hoje e mudou até de nome.

Segundo o historiador, a Ruy Barbosa já se chamou Rua dos Capitães antes de virar homenagem ao jurista baiano e abrigar espaços muito frequentados. “Ali era uma via de trânsito constante de mercadores, comerciantes, transeuntes e também uma área residencial. Berço da Casa Ruy Barbosa e do prédio do Tesouro. A história da rua se confunde com as dinâmicas da própria cidade, desde a fundação até os dias atuais”, diz.

Rua Ruy Barbosa – Russo Passapusso/Youtube

Entre os casarões históricos, um imóvel em especial simboliza o valor cultural da rua: a Casa Ruy Barbosa, local de nascimento de um dos mais notáveis intelectuais brasileiros. Para Suely Temporal, presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) — que administra o espaço —, a importância da Casa é incontestável. O imóvel, porém, é mais um passageiro da agonia de um cenário de abandono do logradouro.

“A situação atual da Rua Ruy Barbosa impacta diretamente o funcionamento, a visitação e a preservação do patrimônio, especialmente pela degradação e pelo acesso dificultado. A sensação de insegurança afasta o público, e o entorno degradado contrasta com o renascimento da Rua Chile, comprometendo a percepção da importância histórica do local”, explica Suely.

Ela acrescenta que a falta de vitalidade urbana faz com que o museu fique “fora do circuito” cultural de Salvador. “Sem comércio ativo, calçadas seguras ou transporte regular, o museu se torna um ponto isolado, quando poderia ser um centro pulsante de memória e cultura.”

A Associação Bahiana de Imprensa tem um projeto pronto para revitalizar o imóvel e transformá-lo na Casa da Palavra Ruy Barbosa, concebido pelo artista e cenógrafo Gringo Cardia. “Várias conversas e encontros já foram realizados, mas nada de concreto aconteceu. Temos um projeto com conceito contemporâneo e interativo, mas precisamos levantar recursos para sua implantação, que passa antes de tudo pela recuperação física do imóvel. No entanto, a recuperação apenas da casa, sem a requalificação do entorno, não resolve a questão”, pontua a presidente da ABI.

Rua Ruy Barbosa – Reprodução/TVE

Questionada sobre os esperados projetos para a rua, a Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), responsável por coordenar intervenções urbanísticas em Salvador, informou que não há atualmente nenhuma proposta de recuperação prevista para a Rua Ruy Barbosa. A informação reforça um processo recente de revitalizações concentradas no Comércio, que tem recebido novos equipamentos, mas que segue distante da via que tanto significa para a história da capital.

Enquanto o poder público não sinaliza mudanças, a sobrevivência da Ruy Barbosa depende da persistência de quem resiste — antiquários que mantêm viva a memória material, restauradores que recuperam o que o tempo tentou apagar e sebos que preservam vozes e pensamentos em papel. É essa rede de saberes e tradições que impede que a rua desapareça do imaginário da cidade.

A Rua Ruy Barbosa, que já foi sinônimo de cultura, comércio e movimento, hoje vive numa encruzilhada entre o que foi e o que pode voltar a ser.

Foto de destaque: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO

Ronaldo Jacobina

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