Existem momentos em que o melhor seria ficar longe do celular. Há, no entanto, mil motivos para não largá-lo. A economista e empresária Macelle Virgine impulsionou sua empresa de vinhos, descobriu um dom culinário – e uma maneira de ganhar dinheiro com ele – e conquistou 14 amigas de infância. Tudo através de um grupo de WhatsApp.
Ela conheceu o Amigas da Vitória quando ainda se vivia os traumas do isolamento forçado pelo Covid 19. Com ele, vem experimentando novas interações, que extrapolaram o mundo virtual. A iniciativa começou em 2023, tendo à frente as administradoras Amanda Alcântara e Luzia Novis, moradoras da Vitória. O que era para ser um diálogo entre vizinhas – sim, apenas mulheres – se expandiu, agregando integrantes de bairros próximos, como Barra, Graça, Canela, Garcia e Campo Grande. O objetivo era proporcionar a sororidade entre as participantes.
Hoje, os dois ‘grupos de zap’ tem cerca de 1.600 mulheres que trocam, diariamente, dicas, serviços e também produtos, com algumas regrinhas. E cada dia da semana tem uma pauta específica. “Não pode postar vídeo nem falar de política ou religião. Também fechamos à noite, depois das 22h, para evitar mensagens fora de horário”, explica Amanda. Ela divide com Luzia as tarefas de administrar essa quantidade de participantes em paralelo à carreira de especialista em RH e treinamentos corporativos.
Além das novas amizades, a iniciativa também gera conexões produtivas. A dupla passou a ser procurada por marcas e serviços interessados em se associar à imagem e ao público do Amigas da Vitória para divulgar produtos ou oferecer benefícios. Quando um supermercado ou restaurante propõe descontos exclusivos ou outras vantagens, eles alcançam, de uma só vez, um grupo de mais de 1.600 mulheres engajadas. “Percebemos a necessidade e a oportunidade de criar uma rede que conectasse mulheres moradoras e empreendedoras”, complementa Luzia, administradora com MBA em Marketing.
Comunidade
Há cinco anos a todo o vapor, há também o Clube, originalmente conhecido como Clube do Horto, com quase 4 mil mulheres, comandadas pela publicitária e psicóloga Camila Martins e pela advogada e empresária Michelle Gonzalez.
A comunidade do Horto Florestal, atualmente, tem “braços”, como o Clube Conecta, para eventos; o Clube Solidário, para incentivar doações e auxílios; e o Clube Experiências, mais recente e desenvolvido para promover atividades que unam arte, cultura e lazer em um mesmo espaço. O lançamento, no último dia 8 de outubro, incluiu palestra, experiência sensorial com vinhos e uma intervenção artística.
As parcerias do Clube são com grandes empresas como Rede D’Or, Moura Dubeux, Hiperideal, Gurilândia, Lands, Shopping da Bahia e outras.
“Empresas também contratam a gente para fazer eventos nichados. Por exemplo, eles falam que querem um evento só com investidoras. Aí a gente seleciona entre as participantes quem tem esse perfil”, diz Camila Martins.
O trabalho é tanto que Michelle brinca que não dá tempo nem de respirar. “Somos acessíveis, fazemos o acolhimento nos sete grupos e desenvolvemos ações que façam com que essas mulheres se sintam pertencentes à nossa comunidade.”
Como um grupo puxa o outro, é claro que já tem os derivados pessoais. Macelle, do início da história, integra o Confraria Intense, que nasceu depois dos encontros proporcionados pelo Amigas da Vitória. Há 1 ano, as 15 amigas viajam juntas, passeiam por Salvador e até brigam como em qualquer relacionamento de verdade. “Fizemos um laço de amizade forte. Começou no mundo virtual e passou para o presencial”, afirma.
Não disse que havia mil motivos para não largar o celular?
(Tharsila Prates)




