
A escritora baiana Luciany Aparecida, que ganhou projeção nacional após o sucesso do primeiro romance, Mata Doce, está com duas novidades. Em janeiro de 2026, ela presenteia seus leitores com o novo poema Aziri, texto em 11 seções que sairá pela Círculo de Poemas e que tem o nome da protagonista do novo romance da autora, Tinta da Bahia, com lançamento previsto pela Alfaguara para o segundo semestre do ano que vem.
Aziri nasceu a partir de pesquisas em acervo de fotografias, especificamente da Enciclopédia Itaú Cultural, na imagem de Christiano Junior, e é centrado na dor da separação de duas irmãs gêmeas, sequestradas na África, para serem escravizadas. Uma morreu na travessia, e a outra desembarcou em Salvador, foi vendida e passou a viver em Valença, terra onde o rio Jiquiriçá – berço de Luciany – deságua.
“O poema é um pouco da angústia da separação, da saudade e uma tentativa possível de diálogo com essa irmã que morreu, e que não deixa de ser um diálogo metafórico entre a África e a América”, nos diz a escritora, finalista do Jabuti e vencedora do prêmio São Paulo de Literatura com Mata Doce.
Ainda como resultado da premiação, Luciany viaja em dezembro para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, encerrando um ano de muitas andanças proporcionadas pela história de Maria Teresa, uma mulher que vive com as duas mães num casarão antigo, cheio de histórias de seus antepassados e por onde passam personagens memoráveis, que enfrentam tragédias, dores e resistem, cada um a seu modo.
Já Tinta da Bahia contará a história de uma mulher do Mali, Aziri, sequestrada no começo do século 19 e trazida para a região de Valença, onde construirá seu percurso de liberdade. O nome do romance faz referência a uma fábrica de tecidos que realmente existiu na cidade, a um jornal abolicionista e também à própria ideia de pensar a composição da sociedade a partir da história colonial.
Um dos sócios dessa fábrica é um gaúcho, proprietário de uma charqueada em Pelotas (RS), de onde ele sai para ser um grande traficante de almas em Salvador. Para essa pesquisa, e também para começar o pós-doutorado na PUC do Rio Grande do Sul na área de teoria literária, Luciany está morando em Porto Alegre. Ela gosta de dizer que está na triangulação Porto Alegre, São Paulo (é professora na PUC) e Bahia, seu estado natal.
(Tharsila Prates)
