Uma proposta apresentada na Câmara Municipal de Salvador sugere transformar o Palácio Thomé de Souza, atual sede da Prefeitura, em um museu dedicado ao arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé. A iniciativa foi protocolada em 13 de outubro e surge em meio à mudança da sede do Executivo para o Palácio da Sé, prevista para janeiro de 2026, após recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) por questões estruturais e de conservação do imóvel.
Arquiteto, professor, escritor e imortal da Academia de Letras da Bahia, Paulo Ormindo aprova a ideia e ainda dá uma sugestão. “Não tinha ouvido falar que querem transformar o Palácio em museu de Lelé. Se for essa a intenção, acho ótimo. Pessoalmente, gostaria que ele ficasse onde está hoje com essa nova função complementado, lateralmente, por uma construção semelhante ao Palácio, para melhor composição da praça”, opina Ormindo.

João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé. Foto: Divulgação
Para especialistas em arquitetura, a proposta respeita o projeto original e valoriza sua importância histórica. “Qualquer que seja a função que ele venha a ter após a saída do gabinete do prefeito é bem-vinda, desde que se mantenha o prédio preservado de acordo com o projeto original”, afirma o professor de Arquitetura da UFBA, José Fernando Marinho Minho, que há anos defende a preservação do local ao lado de outros acadêmicos.
Lelé foi um dos principais nomes da arquitetura brasileira do século XX, reconhecido pela inovação em arquitetura industrializada e pelo uso da pré-fabricação. Em Salvador, deixou obras marcantes como o próprio Palácio Thomé de Souza, o Centro Administrativo da Bahia (CAB), a Estação da Lapa e diversas passarelas urbanas.
Se aprovada, a proposta poderá unir duas dimensões simbólicas: a preservação de um patrimônio histórico e a celebração do legado de um arquiteto que ajudou a moldar a paisagem moderna de Salvador.
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