Depois de cinco décadas dedicadas ao teatro, Luiz Marfuz estreia na prosa de ficção com Ratoeira Perfumada. O livro, publicado pela Editora Patuá, reúne contos em que situações aparentemente banais ganham contornos inesperados e colocam personagens diante de desejos, medos, contradições e descobertas. O lançamento acontece no dia 23 de setembro, às 16h, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA), em Salvador.
A obra parte de uma ideia simples, mas cheia de possibilidades: toda busca pode esconder uma armadilha. A partir dela, Marfuz constrói histórias que transitam entre realidade e insólito. Entre os contos, estão narrativas sobre um professor levado ao reino dos mortos do Egito Antigo, um viajante que se perde entre Machu Picchu e os próprios pensamentos, um questionário virtual que provoca mudanças na sexualidade de um rapaz e um padre que procura respostas com uma jovem yalorixá.



Humor, espiritualidade, erotismo, mistério e estranhamento aparecem entrelaçados ao longo das 113 páginas. Em vez de tratar o insólito como uma ruptura completa com o cotidiano, o autor o utiliza para revelar aspectos da realidade que podem passar despercebidos. A autoironia também ganha espaço como recurso para abordar situações delicadas e personagens marcados por falhas e contradições.
“Embora haja esse percurso exploratório de múltiplas linguagens, talvez o aspecto da busca, das armadilhas do autoengano, é o que mais me interessa”, explica Marfuz. Para ele, a descoberta também está relacionada à possibilidade de encontrar algo diferente daquilo que inicialmente se procurava. “É a atração pelo fascínio e o medo que move descobertas”, analisa o autor.
A estreia literária acontece em um momento simbólico da carreira de Marfuz, que completa 50 anos de trajetória no teatro. Dramaturgo, encenador, pesquisador e professor da Escola de Teatro da UFBA, ele é autor de livros como Beckett e a implosão da cena e Dramaturgia do acontecimento no telejornal, além de trabalhos teatrais como Traga-me a cabeça de Lima Barreto! e Cuida Bem de Mim. “As personagens não são um modelo moral, quando muito uma parte do que reconhecemos em nós. Todos falhamos. É o que Samuel Beckett, eterna fonte de inspiração, nos ensina”, afirma.
Apresentado anteriormente na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Ratoeira Perfumada chega agora a Salvador para o lançamento oficial. A obra conta ainda com uma leitura do crítico teatral e professor da UFBA Rodrigo Nascimento, que identifica nos contos uma “difícil alquimia das desilusões” e destaca o uso do humor para questionar certezas e abrir espaço para novas descobertas. A publicação poderá ser adquirida pela Editora Patuá.
Fotos: Divulgação
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