Depois de percorrer várias cidades do Brasil cantando o repertório da tia Nana Caymmi, morta em maio do ano passado, a cantora Alice Caymmi agora se debruça sobre a obra do avô, o cancioneiro Dorival Caymmi. Nesta sexta-feira 13, a artista lança nas plataformas digitais, o single “Modinha para Gabriela”, releitura do tema de abertura da novela Gabriela (1975), marco da teledramaturgia brasileira. A faixa é um abre-alas do álbum “Caymmi”, inteiramente dedicado ao repertório do avô, previsto para o início de abril.
Longe de uma abordagem reverente ou nostálgica, Alice propõe uma leitura contemporânea da canção, incorporando balanço reggae, elementos de música eletrônica e um arranjo que dialoga com a ideia de ancestralidade, em permanente transformação. O resultado preserva o espírito da composição original, mas em sintonia com novas escutas e linguagens sonoras.
“A obra do meu avô é eterna, mas não estava sendo eternizada. Os puristas acham que as músicas de Caymmi são intocáveis. Não é verdade. Eu trouxe um olhar jovem, atual, que dialoga com o público jovem. O meu avô sempre foi conectado com o que acontecia ao redor dele”, defende a interprete.
Carro-chefe do novo álbum, o single tem produção de Iuri Rio Branco, do selo Daluz Música, numa parceria que reforça o caráter experimental e contemporâneo da faixa, ao mesmo tempo em que ancora o projeto em uma escuta atenta às raízes da música brasileira.

O álbum revisita clássicos de Dorival Caymmi sob o olhar antenado de Alice, incluindo releituras de “Maracangalha” e “Dois de Fevereiro”. Mais do que um tributo, o trabalho se apresenta como um gesto de continuidade: um encontro entre herança, reinvenção e permanência cultural.
“’Gabriela remete à minha visão de mundo. Sou mutante e não abro mão disso. Não é á toa que escolhi essa música como single. A personagem que Jorge Amado construiu e que meu avô cantou tem uma sensualidade natural, uma ligação com a natureza selvagem. Sempre fui uma mulher in natura, sempre coloquei meu corpo no mundo e no espaço. Faço questão da liberdade. Gabriela é parte da natureza – e não algo que você pode ter ou controlar. Ela não pode ser contida nem guardada”, diz a cantora.
O produtor Iuri Rio Branco explica a opção pelo ritmo jamaicano. “Em Modinha para Gabriela, eu pensei um pouco e cheguei à conclusão de que tinha que ser um reggae. Tem tudo a ver. É Brasil, é popular, é fresh e impactante. O reggae tem esse poder, essa tradição de trazer frescor aos temas já existentes – e não foi diferente com esta canção”, define.
Fotos: Luqdias
