Os apaixonados por gastronomia de todo o Brasil conhecem bem o mercado italiano de alimentos Eataly, aberto desde 2015, na Avenida Juscelino Kubitscheck, na capital paulista. Pois é, desde a semana passada, o imponente prédio não ostenta mais a marca italiana na fachada de vidro. A operação brasileira perdeu o direito de uso da marca e luta para barrar uma ação de despejo em curso, movida pelo dono do imóvel.
O declínio da operação começou com os pedidos de falência de alguns credores que levou a franquia a buscar recuperação judicial no final de 2024. Em janeiro último, a Justiça autorizou o arrombamento da porta para desocupar o prédio, mas ali, naqueles dias, os donos conseguiram evitar o despejo. Agora, o juiz responsável pela recuperação judicial direcionou as dívidas antigas com aluguel para o processo de recuperação, e condicionou que os demais aluguéis sejam pagos em dia.
A perda dos direitos de uso da Eataly foi decidida pelo grupo italiano, mas a operação brasileira luta para reverter a situação, enquanto todas as referências à marca italiana tiveram de ser retiradas, incluindo o letreiro da fachada. De acordo com a coluna Broadcast, do jornal Estadão, entre 2015 e 2021, a operação brasileira do Eataly pertencia ao St. Marché, em sociedade com os italianos, mas em 2022, foi vendida para o grupo South Rock (dono do Subway) e depois passou o controle para o grupo de investidores Wings.
A crise financeira, segundo declarou o grupo, é reflexo da pandemia, associado aos altos custos do aluguel e da importação dos produtos. A dívida do processo de recuperação judicial chega R$ 49 milhões.
Um dos mais tradicionais mercados de produtos italianos, o Eataly surgiu em Turim, na Itália, em 2007, como um distribuidor de produtos agrícolas típicos daquele país. Mas o negócio evoluiu e se tornou um símbolo global presente em 10 países.
