A presença de empresários suíços na história econômica do Brasil, iniciada ainda no período colonial, é tema de uma pesquisa inédita da historiadora Sylvie Doriot Galofaro. O trabalho resultou no livro Do diamante ao tabaco: a primeira indústria suíça no Brasil (1736-1913), que será lançado em Salvador no dia 13 de outubro, às 15h, no Museu Geológico, com palestra da autora e sessão de autógrafos.
A publicação acompanha a trajetória de famílias de Neuchâtel, na Suíça, que passaram a atuar em diferentes setores da economia brasileira. Entre elas estão os Meuron, Pury, Pourtalès e Borel. A pesquisa identifica os primeiros movimentos dessa presença a partir de contratos firmados com a Coroa portuguesa, especialmente depois do terremoto que atingiu Lisboa em 1755.
Os negócios envolveram atividades como extração de madeira e diamantes e, posteriormente, comércio e manufatura. Casas comerciais e unidades de produção foram instaladas em cidades como Salvador, Rio de Janeiro e Recife. Para a autora, esse processo representa um capítulo ainda pouco explorado da industrialização suíça fora da Europa.


Um dos episódios centrais do livro está ligado a Salvador. Em 1817, Auguste-Frédéric de Meuron fundou na cidade a Fábrica Imperial Arêa Preta, dedicada à produção de rapé. O imóvel que abrigou a unidade industrial é hoje conhecido por outro uso: trata-se do Solar do Unhão, atual sede do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA).
A empresa posteriormente expandiu suas atividades para o Rio de Janeiro, onde uma filial foi instalada em 1832, no Andarahy Pequeno, região que atualmente integra a Tijuca. Para reconstruir essa trajetória, Sylvie Doriot Galofaro consultou documentos preservados na Europa e no Brasil e realizou dezenas de entrevistas. Outro personagem abordado é David de Pury, também conhecido como David Purry.
Além da expansão comercial e industrial, a pesquisa trata de um aspecto controverso dessa presença suíça no Brasil: o emprego de mão de obra escravizada em fábricas e propriedades rurais mantidas por suíços no país. O livro reúne ainda imagens históricas, parte delas pertencente ao acervo do Instituto Flávia Abubakir. Sylvie é diretora da Fondation Flávia Abubakir, que mantém atuação em Salvador e Crans-Montana, na Suíça.
Fotos: Reprodução
Veja também: Lazzo Matumbi reúne Margareth Menezes e Chico César em show na Concha
