Um sonho que Zilah Machado não conseguiu realizar será levado ao palco em Salvador na voz da cantora gaúcha Marguerite Ramos Silva. Na próxima terça-feira (29), às 19h, ela participa de um ensaio aberto especial da Orquestra Afrosinfônica, na Casa da Ponte, no Largo do Pelourinho, onde irá interpretar obras da artista conhecida como a Rainha da Ilhota.
Nascida em Porto Alegre, Zilah Machado construiu uma trajetória ligada à música negra do Rio Grande do Sul e manteve uma relação afetiva com a Bahia, embora nunca tenha conhecido Salvador. Entre suas composições está “Bahia no Coração”, que traduz justamente esse vínculo com um lugar que permaneceu no imaginário da cantora.
É a partir dessa história que Marguerite desenvolve o projeto “A Voz que Atravessa o Tempo: Releituras Amorosas da Rainha da Ilhota”, contemplado pelo Edital FAC Mobilidade 2026. A proposta chega à capital baiana como uma espécie de travessia entre territórios, levando a obra de uma compositora gaúcha para o Nordeste.



No ensaio, Marguerite será acompanhada pela Orquestra Afrosinfônica, sob regência do maestro Ubiratan Marques. Percussão, sopros e vozes se encontram em uma apresentação que também aproxima diferentes experiências da música afro-brasileira produzidas no Sul e no Nordeste.
“De uma certa forma, estamos cumprindo um dos fundamentos da Casa da Ponte, que é estabelecer essas pontes com artistas afrodescendentes espalhados pelo Brasil. Já fizemos inúmeros encontros e, agora, para o ensaio aberto, teremos a participação da gaúcha Marguerite, que é uma cantora afrodescendente, trazendo um trabalho de pesquisa sobre outra artista negra, que é a Zilah Machado. É importante trazer um pouco da memória desses artistas que têm uma contribuição muito importante para a cultura brasileira”, afirma Ubiratan.
Cantora, educadora, pesquisadora e produtora cultural, Marguerite é licencianda em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e desenvolve trabalhos ligados à música negra, à memória e à educação. Em Salvador, sua pesquisa ganha uma dimensão simbólica ao apresentar a obra de Zilah justamente na cidade que a artista gaúcha desejou conhecer.
O ensaio aberto acontece na Sala Mateus Aleluia, na Casa da Ponte, no Largo do Pelourinho, 10.
Fotos: Divulgação
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