Uma obra criada a partir da experiência de dor e fragilidade do corpo ganhou espaço em uma das principais discussões internacionais sobre figurino, moda e arte têxtil. O designer baiano Silverino Ojú participa da sétima edição da Critical Costume (CC26), em Londres, onde apresenta “Sutura e a Cura”, trabalho produzido em Salvador que transforma ataduras hospitalares em uma criação sobre cura, regeneração e ressignificação. As informações são do CORREIO.
Realizado no London College of Fashion, da University of the Arts London (UAL), o evento começou nesta quarta-feira (9) e segue até quinta (11), reunindo pesquisadores, profissionais e estudantes de diferentes países. A programação aborda temas que atravessam o figurino e a moda, como corpo, arte têxtil, política e relações sociais.



Para Ojú, chegar ao evento representa também a possibilidade de ampliar o alcance de uma produção que nasceu na Bahia. “Eu vim da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Já é bem difícil furar a bolha dentro do território baiano e, pior ainda, eu diria, no miolo Sudeste. […] Então, fica evidente, para mim, a relevância desse trabalho, dessa prática e dessa abordagem, acima de tudo”, afirmou ao CORREIO.
A instalação utiliza centenas de faixas de atadura hospitalar e parte de uma vivência pessoal do designer, que convive com perda óssea desde os 19 anos e passou por cirurgias ortopédicas. Produzidas em Salvador em parceria com costureiras do Centro Técnico do Teatro Castro Alves, as peças que integram “Sutura e a Cura” foram confeccionadas entre 2023 e 2024.
Apesar de partir da própria trajetória, Ojú entende que a obra ultrapassa a experiência individual. “Apesar de autoreferente, de tratar dessa história de dor pessoal, o buraco é mais embaixo. Até porque a dor física e as questões do corpo não são privilégios pessoais. Todo mundo tem fragilidades e incertezas”, disse.
Fotos: Divulgação
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