Mais de quatro décadas de cartas trocadas entre Jorge Amado e Erico Verissimo chegam ao público pela primeira vez no livro Cartas: Jorge Amado – Erico Verissimo, que será lançado em agosto, durante a 10ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador.
A publicação reúne correspondências inéditas entre dois dos maiores escritores brasileiros do século XX, revelando não apenas a amizade construída ao longo dos anos, mas também reflexões sobre literatura, política, cultura e os acontecimentos que marcaram o Brasil ao longo de diferentes períodos históricos.
O lançamento será marcado por um encontro entre Paloma Jorge Amado, escritora e filha de Jorge Amado, e Fernanda Verissimo, neta de Erico Verissimo. A mesa reunirá representantes das duas famílias para conversar sobre o legado dos autores, a preservação da memória literária e a importância da correspondência como documento histórico.

Publicada em parceria pela Companhia das Letras e pela Casa de Palavras, editora da Fundação Casa de Jorge Amado, a obra já está em pré-venda. Organizado por Paloma Jorge Amado e Bete Capinan, o volume traz ainda um texto recuperado de Luís Fernando Verissimo e orelha assinada por Fernanda Verissimo.
As cartas acompanham diferentes fases da vida dos escritores. Nelas, Jorge Amado e Erico Verissimo comentam livros em preparação, compartilham dúvidas e projetos, trocam impressões sobre o cenário político e cultural do país e registram momentos de suas trajetórias pessoais. O conjunto oferece ao leitor um raro retrato da intimidade intelectual de dois autores que ajudaram a consolidar a literatura brasileira contemporânea.
O material integra o acervo da Fundação Casa de Jorge Amado, responsável pela preservação de milhares de documentos reunidos pelo escritor ao longo da vida. Além da correspondência com Erico Verissimo, o arquivo reúne cartas trocadas com escritores, artistas, intelectuais, políticos e com Zélia Gattai.
Jorge Amado costumava preservar cuidadosamente sua correspondência. Em muitos documentos, anotava de próprio punho a expressão “para guardar”, indicando que aqueles registros deveriam ser conservados para as gerações futuras.
Para Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, a publicação reafirma o compromisso da instituição de tornar esse patrimônio acessível ao público.
“As cartas são muito mais do que documentos históricos. Elas revelam afetos, registram processos de criação e ajudam a compreender momentos decisivos da vida cultural e política do país. Ao publicar essa correspondência, compartilhamos um patrimônio que pertence à literatura brasileira”, afirma.
A obra integra a coleção Um gesto de amizade, dedicada à publicação de correspondências entre grandes nomes da cultura brasileira. A série já lançou Com o mar por meio – Uma amizade em cartas, reunindo Jorge Amado e José Saramago, e Cartas: Dias Gomes – Jorge Amado. Novos volumes estão em preparação e deverão ampliar o acesso do público ao acervo preservado pela Fundação.
Mais do que revelar a amizade entre dois escritores, Cartas: Jorge Amado – Erico Verissimo oferece um testemunho da formação intelectual de uma geração que fez da literatura uma ferramenta de reflexão sobre o Brasil e seu tempo.
