A fotógrafa Andrea Fiamenghi volta a expor em Salvador após sete anos longe da capital baiana. Com uma produção construída a partir das relações entre memória, espiritualidade e identidade baiana, a artista participa de duas exposições coletivas que ocupam importantes espaços culturais da cidade nas próximas semanas.
O retorno marca também um reencontro simbólico com a cidade que atravessa grande parte de sua trajetória artística. “Expor novamente em Salvador é como voltar para casa. A minha maior inspiração sempre foi a atmosfera baiana, e trazer este trabalho para a cidade que eu tanto amo é promover um diálogo artisticamente vital e profundamente afetivo”, afirma Andrea.
A primeira mostra, “Paisagens em Travessia”, será inaugurada no dia 27 de maio, na CAIXA Cultural Salvador. Realizada em parceria com o Museu Nacional de Belas Artes e o Ibram, a exposição reúne obras de diferentes artistas brasileiros em torno de debates sobre paisagem, território e questões ambientais contemporâneas.
Dentro da programação do projeto, Andrea também participou recentemente de um webinário promovido pelo Museu Nacional de Belas Artes para discutir os processos criativos ligados à exposição. Entre os destaques da mostra está a fotografia “Capitães de Areia, Itaparica”, assinada pela artista e escolhida como imagem oficial do pôster institucional distribuído aos clientes da Caixa Econômica Federal que visitarem o espaço.



Na sequência, no dia 10 de junho, a fotógrafa integra “Ecologia de Sentidos — Panorama da Fotografia da Bahia”, apresentada no Solar do Ferrão, no Pelourinho. Com curadoria de Marcelo Reis, do Instituto Casa da Photographia, o projeto reúne 104 imagens de 26 artistas ligados à chamada terceira geração da fotografia baiana, desenvolvida a partir dos anos 2000.
A exposição, que encerra em Salvador uma itinerância realizada por outros estados do Nordeste, propõe reflexões sobre ancestralidade, raça, gênero e memória, além de prestar homenagem ao fotógrafo Akira Cravo. No conjunto apresentado, o trabalho de Andrea se destaca pelas pesquisas visuais ligadas aos corpos, aos rituais e à dimensão simbólica dos terreiros de candomblé.
“Saber que essas exposições chegam a Salvador depois de passar por outros lugares é como um ato de restituição espiritual. Fechar este ciclo aqui é ancorar o meu trabalho na matéria de que ele é feito: essa atmosfera baiana densa, mística e viva, que pulsa na cidade que tanto amo”, destaca a fotógrafa.
As duas mostras ajudam a consolidar a relevância de Andrea Fiamenghi dentro da fotografia contemporânea brasileira, especialmente pela maneira como sua obra constrói registros sensíveis sobre a cultura afro-baiana e os territórios simbólicos da cidade.
Fotos: Andrea Fiamenghi
