A HBO Max estreou no último dia 2 de fevereiro a novela Dona Beja. A trama conta a história de Ana Jacinta (Beja), uma mulher influente que chocou a sociedade de Araxá no início do século XX. Entre os destaques do elenco está o ator baiano Ricardo Burgos, que interpreta o jornalista Joaquim Botelho, o Botelhinho, um dos antagonistas do folhetim.
Além da produção brasileira, Burgos também está na TV portuguesa com a novela Terra Forte, onde dá vida a César, um brasileiro que se envolve com a antagonista da trama. Antes de Dona Beja, o baiano atuou nas séries Rio Connection e Impuros, além de Mania de Você, da TV Globo.
Como surgiu o convite para a novela?
Eu já havia trabalhado com a produtora da novela em uma série chamada Rio Connection. Dois anos depois, eles me chamaram para fazer um teste para o personagem. O segundo teste ocorreu enquanto eu estava entrando em cartaz com um monólogo no Rio de Janeiro chamado Três Meses e Três Dias e o diretor de elenco da Warner foi ver essa peça para saber quem eu era. No dia seguinte recebi a resposta de que tinha passado. Fico pensando que se não tivesse feito a peça, não tivesse mostrado meu trabalho no teatro, talvez não tivesse acontecido.
Como foi a preparação para o personagem?
Eu foquei em tentar entender um pouco do período histórico, já que a história se passa em Araxá, no início do século XIX. O Botelho é uma pessoa que escreve muito à pena e à tinta, então tive um processo de aperfeiçoar a minha escrita com a pena e naquele tipo de papel. Além de outras coisas, como a mentalidade das pessoas mais antigas, como me compor, andar e sentir as coisas.
De que maneira o Botelho se compara com outros personagens da sua carreira?
Eu tive nos últimos anos uma tendência a fazer personagens moralmente questionáveis, que caminham pelo caminho da vilania. Ele é o jornalista da cidade, uma espécie de fofoqueiro da região e um dos antagonistas da Dona Beja. Ele é um crápula, uma pessoa detestável, mas eu não posso julgar ele dessa forma e tenho que encontrar os motivos dele ser como é, até para humanizá-lo. Ele recebe muita porrada do pai, sofre muito abuso moral, psicológico dentro de casa e desconta isso no mundo, em especial na Beja.
No momento, você também está com a novela Terra Forte em Portugal. Conta um pouco sobre a história da novela e o seu papel na história.
É uma novela que se divide entre a região dos Açores e Florianópolis, que tem uma grande comunidade açoriana e a trama explora esse recorte. Eu faço um carioca que vive em Santa Catarina e é o par romântico da vilã, que também é um mal caráter, mas tem os seus motivos para isso.
Essa é a história de Flor, uma mulher que desaparece no oceano e todos pensam ter falecido. Depois descobrimos que, na verdade, ela sofreu uma tentativa de assassinato pela vilã, Maria de Fátima, que assumiu o controle da empresa de pesca da sua família e casou com o seu marido. No entanto, ela volta querendo retomar o seu lugar de direito. É aquela coisa bem folhetim raiz e tá sendo super legal ver a repercussão da novela.
Como foi o processo de mudança para Portugal e a experiência no país?
Eu fui convidado pela Rita Pereira, que interpreta a vilã e que conheci em Dona Beja. Foi tudo muito rápido, recebi o convite em uma terça para me mudar na segunda. Os primeiros meses foram difíceis porque não tinha uma rede de apoio e a única amiga que eu tinha, que era a Rita, morava distante. Mas eu fiz grandes amizades, que vou levar para o resto da vida e isso deixou tudo mais fácil.
Além dos trabalhos nesses países, você também já participou de produções nos Estados Unidos. Pensa em explorar mais o mercado internacional?
Sim. Sempre tive vontade de ter o máximo de experiências possível dentro do que eu posso fazer. Essa ida para Portugal também abre portas para o mercado europeu, onde eu fiz testes para séries na Inglaterra e uma participação pontual de um filme franco-português situado na década de 80. De vez em quando surgem oportunidades, então estou super aberto a explorar
Você já tem outros projetos encaminhados para o futuro?
No momento são apenas possibilidades. Ainda estou naquela fase onde as coisas não acontecem muito, então vou esperar o Carnaval passar para entender como será o meu ano. Eu estou querendo voltar a entrar em cartaz com o meu monólogo e estou estudando a possibilidade de tê-lo aqui em Salvador, em março. Essa vida de ator é muito doida, as propostas surgem do nada, então estou analisando se poderei entrar em cartaz e se serão sessões únicas ou uma temporada.
Foto: Reprodução/Instagram
Repórter: Gilberto Barbosa
